Não sou uma pessoa que costuma sentir muita saudade. De forma geral, não penso muito no passado. O futuro me seduz mais. Para mim, é mais excitante pensar nas coisas que ainda tenho para viver no que aquilo que já consta em meu currículo. O que passou, passou. Se não foi devidamente aproveitado, paciência. Eu tive motivos (inexperiência, falta de grana, visão de mundo diferente..) que me levaram a não curtir como curtiria se determinada situação rolasse hoje. Normal. Amanhã, quando eu olhar para esse texto, ele não vai parecer tão legal quanto hoje quando o escrevi. Essa é a vida.
Mas existem determinadas coisas que me deixam sim com saudades. Bobas, praticamente sem relevância e que a maioria das pessoas nem percebe. Por exemplo, morro de saudades do quebra-vento que os carros antes tinham. Você regulava aquele vidrinho para a vazão de vento que queria e o seu direcionamento. Muito mais eficaz e ecologicamente correto para refrescar do que o nefasto ar condicionado. Dirigindo um carro, você tinha a mesma sensação de liberdade que um motociclista com o vento na cara. Maldito seja o design que tirou o quebra-vento dos novos modelos automobilísticos.
Outro item que me deixa nostálgico é o cachorro quente das Lojas Americanas. Que vontade de comer aquilo novamente ali no Centro, vendo os camelôs da Avenida Anhanguera. Na infância, era de lei: eu saía do Jóquei com meu avô e comíamos naqueles banquinhos giratórios encostados no balcão um belo cachorro quente. É claro que eu sempre deixava cair molho na camiseta, o que irritava profundamente minha avó. Na adolescência, era outro ritual. No dia do pagamento, eu recebia os minguados reais do meu salário de estagiário e ia para a Loja Americana do Centro. Comprava um CD e lanchava um cachorro quente. Era a comemoração pelo salário que acabara de entrar no bolso. Se alguém nesse país tivesse juízo, esse sanduíche seria tombado patrimônio imaterial da gastronomia brasileira. Aquele molho com pimentão faz parte da memória afetiva de boa parte da nossa população.
Muitíssimo de vez em quando, ainda encontro esse outro item no supermercado, mas eles andam cada vez mais raros: copos de requeijão pintados. Eu só comecei a gostar de requeijão para que meus pais comprassem os copos decorados. E eu tinha de tudo quanto era tipo: obras de arte, do meu time do coração, desenhos nonsense, personagens de desenho animado… Não interessava o mote, o que eu queria era que os copos fossem pintados. E até hoje é assim. Na minha casa, só bebo água se o copo for de requeijão e pintado. Sem isso, no way! Troco fácil de marca de requeijão se o copo tiver um astral. Por que diabos essa prática da indústria de dar um charme no copo não é mais comum como outrora?
Como disse anteriormente, minha nostalgia se remete somente à coisas bobas. Mas parece que as coisas bobas é que marcam os corações bobos. E meu coração é de uma bobeira constrangedora…