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Até que enfim algumas medidas sérias para o turismo!

15.04.2019 - 12:29:59
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Até que enfim o turismo está no foco do Governo.
 
É com prazer que elogio publicamente a atuação positiva do Governo Bolsonaro e as ações do ministro do Turismo, Marcelo Antônio, por dois atos realmente importantes para o desenvolvimento do setor como vetor econômico e social, salvador da economia de vários países, a curto prazo.
 
O primeiro foi a suspensão do Visto Diplomático para turistas oriundos dos maiores centros emissivos internacionais, como Estados Unidos, Canadá, Japão e Austrália. Agora é só trabalhar com competência esses centros emissores com informações objetivas, não apenas por meio da propaganda formal, muitas vezes maquiando a imagem de um setor. Torna-se uma propaganda enganosa com efeitos contrários ao pretendido, se a realidade não corresponder.
 
O segundo, a assinatura do Decreto nº 9.763, regulamentando o Art. 5º da Lei nº 11.771/2008, dispondo sobre a Política Nacional do Turismo, com vistas a desenvolver, ordenar e promover os segmentos turísticos relacionados com o Patrimônio Mundial, Cultural e Natural do Brasil. No seu cumprimento a ação conjunta de vários ministérios, como os do Turismo, da Cidadania, do Meio Ambiente, do Desenvolvimento Regional, Embratur, Instituto Chico Mendes e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Realmente, uma ação de Governo.
 
No fluir de 40 anos em que acompanho a evolução do turismo no Brasil, sempre cultivei a interrogação do por quê o setor não crescer no País, permanecendo estático, sem qualquer crescimento percentual do receptivo turístico internacional por quase seis décadas, quando se criou a Embratur?
 
Pelas minhas observações as respostas então assim pontuadas:
 
a) – A falta de políticas públicas objetivas e a continuidade de programas com o excesso de mudanças na direção dos órgãos responsáveis pelo turismo (MTur e Embratur), cada um novo querendo ‘inventar’ o óbvio;
b) – Ausência de informações positivas do país no exterior, onde os próprios brasileiros viajantes contribuem para nos denegrir;
c) – O descuido com os atrativos turísticos, históricos e urbanos, malcuidados pelas gestões públicas no tocante a conservação e manutenção de monumentos culturais e públicos.
d) – Política errática de marketing em que se mostra o Brasil em um todo, em suas peças publicitárias e vídeos, sem um foco específico em destinos. Ninguém viaja para um País, mas para um destino certo nesse País.
 
Advogo que primeiro arrumemos a casa, internamente, para depois vende-la. Não é o marketing formal que atrai visitas, mas o boca-a-boca, com as pessoas falando bem do local por elas visitado. Voltam e recomendam. Turismo é a atividade na qual ninguém vai atrás de novidades, mas ver mil vezes os mesmos monumentos, gastronomia, cultura e o aconchego urbano.
 
Nunca se vê um único chamado publicitário para visitar Nova York, Barcelona, Madri, Paris, Lisboa ou Gramado. As pessoas que já as visitaram voltam sempre apenas pelo prazer de rever as mesmas coisas e se sentir bem acolhidas.
 
Não podemos confundir receptivo, que é a contabilidade numérica dos turistas visitantes, com receptividade, que é a forma espontânea e carinhosa com que os moradores locais recebem seus visitantes.
 
Esse é o fator determinante. A boa receptividade que significa não o carinho para com as pessoas, mas a limpeza e a conservação da cidade, de suas calçadas. Monumentos públicos não pichados e, em especial, a consciência de não exploração dos visitantes, com o aumento sazonal de preços na gastronomia e até mesmo no artesanato.
 
A isso chamamos de consciência coletiva, que tanto falta em nossos pontos turísticos mais badalados. Falta despertarmos esse sentimento de civilidade em nossos cidadãos, que se chama qualidade receptiva.
 
Para isso, basta ação.
 

*José Osório Naves, jornalista, é diretor executivo da Confederação Nacional do Turismo (CNTur)

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por José Osório Naves

*Mônica Parreira é repórter do jornal A Redação

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