Luiza Erundina, eu te amo! Até que enfim alguém disse aquilo que precisava ser dito: tudo na vida tem limites. Descartar a vice de Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo por não aceitar a espúria aliança da com o Paulo Maluf e seu PP foi um tapa na cara dos pastores do pragmatismo político. Aqueles que dizem que vale tudo pelo poder. Aqueles que propagam que o feio é não ganhar a eleição. Aqueles que alardeiam não existir mais ideologias. Erundina mostrou que ainda tem gente que não cospe em seu currículo por 90 segundos na propaganda eleitoral. É preciso repetir: Luiza Erundina, eu te amo!
Em um país onde um ex-presidente pediu para esquecer o que ele havia escrito antes do exercício do poder e outro falou que tudo que dizia quando estava da oposição eram apenas bravatas, a atitude de Erundina é merecedora de aplausos eternos. Ainda existem pessoas que acham que limites são importantes. Algumas coisas são inegociáveis. E gente assim está escassa no mundo político brasileiro. Por isso a nobre atitude da deputada federal pelo PSB é tão destacável. Ainda temos pessoas que se importam com aquilo que construíram ao longo de sua trajetória pública. Um milhão de vivas!
E o caso da aliança entre Maluf e o PT não se trata de coerência ideológica, mas sim de limites éticos. Uma coisa é a convivência democrática entre um partido de esquerda e um de direita. Existem momentos onde as partes cedem para o florescimento de um consenso mínimo e o avanço social. Democracia é isso aí. No caso de Maluf, o problema não é ele ser de direita, e sim os sérios desvios éticos de sua carreira. O cara tem a Interpol fungando no seu cangote. Se ele pisar em alguns países, é grampeado na hora. Cana no autor do famigerado “estupra mas não mata”. Convenhamos, isso não é muito agradável. Eu não estabeleceria uma sociedade com um indivíduo que tenha essa vida corrida. E Lula negociou cargos, barganhou e o levou para o palanque. A galera está indo longe demais.
Todos têm limites. João de Santo Cristo tinha o seu: “não boto bomba em banca de jornal nem em colégio de criança isso não faço não”. Eu tenho o meu: ninguém mexe com minha honra e não deixo passar a mão na minha bunda.
Até onde vai seu limite, leitor?
O limite do Lula está elástico demais para meu estômago. E digo isso de Lula e não do PT, pois o líder do Partido dos Trabalhadores está perdendo o bom senso na sanha de eleger o próximo prefeito da maior metrópole do Brasil. Ele atropela diariamente seu partido em prol desse objetivo. Começo achar que suas apostas estão altas demais nesse jogo. O aperto de mão de um Lula constrangido com um Maluf sorridente, um Haddad entre ambos com cara de bobo, no jardim da casa do pepista é de vomitar feijoada por dias seguidos.
Para piorar, o PSDB está chorando as pitangas por ter perdido esse apoio. O governador Geraldo Alckmin abriga malufistas em sua gestão. São aliados. E José Serra os queria em sua campanha. Os tucanos paulistas também cospem na memória de Mário Covas e Franco Montoro.
Não existe pudor em SP.
Salve Erundina!