Goiânia – Um casal de amigos agora é ex-casal, após uns bons 20 anos de união. A namorada de outro amigo brigou com ele. Uma terceira amiga rompeu o casamento. Outro colega bonitão agora beija meninos e não meninas.
Histórias sobre fim de relacionamentos são tão corriqueiras quanto o ato de beber água. A novidade é a forma como temos conhecimento delas. A tradicional fofoca, o constrangimento da resposta à pergunta “cadê o fulano?”, o disse-me-disse dos interessados em espalhar as novidades sobre vidas alheias são, em 2013, tão analógicos e arcaicos como uma fita cassete.
A atualização de status, principalmente no Facebook, assumiu hoje a chancela de um reconhecimento de firma em cartório. Nada mais oficial que o recadinho “fulano mudou seu status para solteiro”. E nada tão grave quanto rejeitar a marcação em uma foto. Bloquear, unfollow, então, é ofensa imperdoável e pode significar para sempre o início de uma inimizade.
Topamos com isso diariamente em um simples clique no link “novas histórias” do Facebook, ou ao verificarmos o que ocorreu para o número de seguidores do Twitter ter caído de 1.874 para 1.873.
No caso do casal de amigos, por exemplo, vi a foto de ambos no Facebook, abraçados e sorridentes na mesa de um restaurante, como dezenas que já havia visto geralmente nos fins de semana. A diferença era que, abaixo da mesma, ao invés da tradicional frase “curtindo com o amor da minha vida” e congêneres, havia lá o texto lacônico: “Agora somos apenas amigos”. Olhei no perfil, e lá estava a atualização do status: “Separada”.
Sobre o colega bonitão, abaixo da foto a descrição que não deixava dúvida: “Eu, fulano e nosso filho”. O filho, no caso, era um belo Yorkshire. Na timeline, em fotos publicadas há poucos anos, este amigo invariavelmente surgia aos abraços e beijos gatas de matar os colegas de inveja.
As chamadas mídias tradicionais sentem o impacto das novas tecnologias de comunicação há vários anos e o encerramento de uma publicação como o Playboy, anunciada pela editora Abril, não causa mais qualquer espanto. Os profissionais de comunicação, administração e finanças buscam desesperadamente uma saída para as empresas da velha mídia.
Mas, todos já sabem, a influência das novas tecnologias de comunicação extrapolam o mundo dos negócios.
E as mídias sociais – tanto as já existentes quanto aquelas que ainda virão – estão no centro dessa discussão. Não cabe mais qualquer análise sobre “se” elas causaram alguma mudança no comportamento da vida das pessoas. Sociólogos, psicólogos, antropólogos, neurocientistas e todos os ólogos imagináveis tentam, ainda em vão, descobrir para onde elas nos levarão.