Enquanto Brooke trabalha em dois empregos para sustentar a casa, seu
marido Julian, que é cantor, corre atrás da carreira musical. Apesar da
rotina ser pesada para ela, os dois vivem felizes e apaixonados. Isso,
até Julian ser descoberto por uma gravadora e se tornar um sucesso da
noite para o dia. O que parecia um sonho no início se torna um pesadelo
quando fotógrafos e fofocas passam a fazer parte da rotina dos dois. É
essa a história de “Uma noite no Chateau Marmont”, novo livro da
norte-americana Lauren Weisberger, autora do best-seller “O Diabo veste
Prada”.
Assim como a obra anterior, que virou sucesso no cinema em 2006, com
Meryl Streep e Anne Hathaway, o novo livro traz um narrativa simples,
que pode facilmente ser transformada num roteiro de filme pipoca.
Novamente, Lauren Weisberger aborda a questão das carreiras como
desestabilizadoras dos relacionamentos amorosos. Se em “O Diabo veste
Prada” a personagem de Anne Hathaway se desentendia com o amado por
focar demais na carreira, no novo livro a escritora apenas inverte a
ordem. Dessa vez, é o sucesso profissional do marido que leva a mulher a
arrancar os cabelos.
Cheio de diálogos, o livro também conta com personagens secundários
caricatos, como a sogra perua e insensível, e a melhor amiga linda que
dorme com vários homens. Essa última, aliás, chama-se Heather e lembra
muito a personagem Samantha do seriado pop “Sex and The City”. De fato, o
forte da autora não é criar personagens complexos ou explorar suas
contradições e subjetividades. Ela não quer dar um nó na cabeça dos
leitores, nem fazê-los pensar. A proposta aqui é absorção rápida e
fácil.
Em compensação, se os personagens são superficiais, Weisberger faz o
leitor identificar-se com a história, utilizando recursos interessantes.
Um deles é explorar o modo como se vive hoje. Facebook, Twitter e
outras ferramentas tecnológicas comuns do dia a dia também fazem parte
da rotina de Brooke, Julian e Heather. Os universos de leitores e
personagens, portanto, se aproximam. Outro elemento que pode tornar o
livro popular são menções a referências pop, como atores, atrizes e
músicos que estampam hoje as capas de revista. O livro abarca a cultura
do consumo e lança mão dela para prender a atenção.
Um de seus pecados, no entanto, é a falsa crítica que faz em relação à
cultura das celebridades. Por mais que a personagem principal fale com
repulsa das matérias escandalosas que saem nos tabloides – com direito a
discursos fracos levantando a questão -, a obra é uma ode às estrelas
do mainstream. O texto simples e sem surpresas da autora, no entanto,
torna tudo bem palatável. O livro, aliás, é como bom fast-food: apesar
de não ser memorável, é divertido, gostoso e ideal para ser consumido
rapidinho, sem falsos arrependimentos. As informações são do Jornal da
Tarde. (Agência Estado)