Goiânia – Viajei alguns dias depois do Natal para Mara Rosa. Fiquei na roça e sem sinal de internet – uma maravilha para a cabeça. Para quem não sabe, a cidade fica na região Norte do estado, a 323 quilômetros de Goiânia. Na ida e na volta, observando os suicidas que se arriscam em ultrapassagens kamikazes, fiz a constatação empírica que dá embasamento para esse texto: a imensa maioria dos imprudentes conduz imponentes caminhonetes. Em segundo lugar, mas em número bem distante, vem as SUVs. Depois são os demais veículos. Ou seja, os babacas imprudentes preferem os carrões com carroceria.
Atenção! Aceito todas as críticas pelo que escrevo, mas fica difícil argumentar contra o que não escrevi. Eu não disse que todo motorista de caminhonete é babaca, mas sim que a maioria dos babacas nas rodovias trafegam nesse tipo de veículo. Se você tem sua bela caminhonete e anda de acordo com a legislação de trânsito, está tudo certo. Não vista a carapuça que não é para você, certo? Bola adiante.
Sempre quando a faixa é contínua e temos um caminhão lento na frente, o lance é andar devagar na paciência e esperar o momento seguro da ultrapassagem. O problema é que quem tem caminhonete não pode esperar. Afinal, o compromisso dele é mais sério do que todos os demais que estão na estrada. O carro dele impõe e seria humilhante ficar na fila. E fila sempre foi lugar para trouxa. Ou pobre. O cara desrespeita a faixa contínua, sem visão alguma do que lhe aguarda na rodovia, fazendo não só uma manobra suicida, mas também potencialmente homicida – afinal, todos ao redor e quem vem na pista do lado contrário correm riscos e não têm nada a ver com a vontade de morrer do infeliz.
E por que diabos os carros mais ponentes são os mais imprudentes? Talvez tenha só uma questão técnica como explicação. Afinal, são mais possantes o que deixaria o motorista com a falsa impressão de que ele consegue se safar se algo imprevisto acontecer. Talvez seja uma questão de perspectiva sociológica, com o ranço da elite brasileira daquele pensamento que respeitar a lei não é para gente de seu gabarito – é coisa para pobre, para a ralé. E ele, pessoa de posses, não tem que estar ali esperando. Não sei o que explica, não sei do que se trata tal comportamento doentio. Deve ter gente muito mais inteligente e preparada que eu se debruçando sobre esse tema. Aguardo comentários aí embaixo.
O fato é que enquanto carregamos nossa família para uma confraternização de final de ano, a deixamos a mercê de imbecis mais comumente dirigindo caminhonetes, esses que se acham donos do mundo e que pensam que respeitar leis de trânsito é coisa para otários.
PS: Estou de férias e os textos por aqui estão menos frequentes. Vou postando conforme o sinal de internet der as caras.