Logo

BC avança nas discussões para a criação da moeda virtual brasileira

29.07.2021 - 16:03:54
WhatsAppFacebookLinkedInX

Brasília – Influenciado pelas inovações proporcionadas pelos ambientes digitais para as intermediações financeiras, o Banco Central está avançando nas discussões que visam a criação e a implantação da moeda digital brasileira – no caso, o Real Digital. Para tanto, inaugurou nesta quinta-feira (29/7) uma série de webinars que vai tratar do assunto, com a palestra Potenciais do Real em formato digital. Este, o primeiro dos sete encontros previstos durante o segundo semestre, teve como palestrante o professor Robert Townsend, do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Ele participa do projeto de criação do dólar digital.

 
A ideia do Banco Central brasileiro é a de “estabelecer as bases para o eventual desenvolvimento de uma CBDC [Central Bank Digital Currency] que venha a acompanhar o dinamismo da evolução tecnológica da economia brasileira e a aumentar a eficiência do sistema de pagamentos de varejo”. Dessa forma, pretende “contribuir para o surgimento de novos modelos de negócio e de outras inovações baseadas nos avanços tecnológicos”, favorecendo a participação do país em outros cenários econômicos e aumentando sua eficiência nas transações trans fronteiriças.
 
Moedas digitais X criptomoedas
Para melhor compreensão sobre o tema, a autoridade monetária brasileira esclarece que moedas digitais são muito diferentes de criptomoedas. Em maio, ao anunciar as diretrizes para a criação da moeda digital brasileira, o coordenador dos trabalhos sobre a moeda digital do Banco Central, Fabio Araujo, explicou essa diferença.
 
“Os criptoativos, como o Bitcoin, não detém as características de uma moeda, mas sim de um ativo. A opinião do Banco Central sobre criptoativos continua a mesma: esses são ativos arriscados, não regulados pelo Banco Central, e devem ser tratados com cautela pelo público”, detalhou. Já a CBDC é uma nova forma de representação da moeda já emitida pela autoridade monetária nacional. Ou seja, faz parte da política monetária do país de emissão e conta com a garantia dada por essa política.
 
Papel do banco público
Na palestra apresentada hoje, o professor Robert Townsend seguiu a mesma linha. “O papel do banco publico vai além do lucro e abrange o bem-estar da sociedade como um todo”, disse o professor do MIT ao ressaltar a importância de “regras, esquema e desempenho do sistema financeiro” para que esse objetivo seja atingido. “A CBDC é uma outra opção para substituir o papel-moeda, podendo ter moedas estáveis com apoio da moeda bancária, de forma a garantir que o dinheiro é real. Dinheiro público e privado [como é o caso das criptomoedas] podem coexistir de forma saudável nesse ambiente”, disse.
 
Ele, no entanto, pondera que essas “moedas privadas” devem ser negociadas em mercados secundários. “A vantagem dos contratos inteligentes, sem usar terceira parte, é a de possibilitar um novo aporte de intermediação financeira. Em alguns aspectos é fácil de monitorar, no sentido de que os acordos são todos codificados e existentes, antes de tudo ser deslanchado”. “O futuro chegou e o sistema financeiro sempre continuará evoluindo com inovações muitas vezes desejáveis. Então é papel tanto de um banco central como das moedas digitais evoluir. Temos de estar prontos e pensar sobre isso, em vez de responder a coisas que aconteçam sequencialmente”, acrescentou.
 
De acordo com o professor, entre as regras a serem seguidas pelos bancos centrais está a de planejar um sistema financeiro com rastreamento, criptografia, computação multipartidária e privacidade. “Há um papel para o setor público no design de infraestrutura de plataforma aberta, o que inclui programabilidade que potencialmente permita à CBDC [moedas digitais fornecidas por bancos centrais] funcionar”.
 
Infraestrutura
Professor da Escola de Negócios da Fundação Getúlio Vargas, Eduardo Diniz explicou de forma didática alguns dos processos que devem ser observados para a “construção da parte técnica” da moeda digital brasileira. “Quando se tem a moeda em papel, a Casa da Moeda constrói um papel físico. Há toda uma infraestrutura técnica para a produção dessa moeda, com máquinas, impressoras, tintas. Essas camadas operam de forma conjunta para fazer o sistema funcionar. O que vemos agora é a transposição disso para o mundo digital. Você continuará tendo controle, regras e funcionamento do sistema de pagamento. Isso continuará na mão do BC. Mas terá uma infraestrutura para validar que aquilo que está circulando é, de fato, [moeda] Real”.
 
Ele acrescenta que, quando se migra de um sistema para ou outro, mantém-se “a mesma estrutura lógica do sistema de pagamento, com o BC tendo controle sobre as regras de funcionamento do mercado; tendo mecanismos de validação necessários para dizer que o que está sendo operado está sendo feito de forma confiável para a população; e também, no nível do código, a tecnologia que será implementada e executada”.
 
Complementariedade
Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, João Manoel Pinho de Mello disse que o objetivo do BC, ao estudar modelos e discutir os meios pelos quais se adotará tal tecnologia, poderá auxiliar a autoridade monetária brasileira “na gestão da moeda em suas três funções: reserva de valor, unidade de conta e meio de pagamento, considerando um cenário de inovação e de maior digitalização de nossa sociedade”.
 
“Portanto, não é um debate de substituição, mas de complementariedade do meio digital para cobrir lacunas e superar fricções que a moeda tradicional tem dificuldade de superar, em um equilíbrio no qual os benefícios de adoção de uma CBDC superam os riscos e os custos”, argumentou.
 
“De forma geral, entendemos que o uso da CBDC se dará nas situações em que ela for capaz de trazer maiores eficiência e transparência para as transações, seja sob a ótica do varejo ou do seu uso pelos agentes que compõem a indústria financeira e de pagamentos, que chamamos de atacado. Além disso, CBDCs podem trazer, se bem desenhadas, oportunidades para ampliar a inclusão financeira e para melhorar a experiência e diminuir o custo e tempo de pagamentos trans-fronteiriços”, acrescentou.
 
De acordo com o diretor do BC, é preciso reconhecer que há que se tomar “extremo cuidado” na escolha do desenho e das tecnologias que serão utilizadas, de forma a evitar que a moeda digital a ser criada desrespeite a lei geral de proteção de dados, facilite corridas bancárias ou seja vulnerável a ataques cibernéticos.
 
“Além disso, o uso trans-fronteiriço dessas moedas deve ter especial consideração no desenho da solução, de modo a evitar substituições indesejadas da moeda soberana de um país pela de outro”, complementou.
 
Desenvolvimento gradual
Ele lembrou que a pandemia acelerou transformações na forma que a sociedade transaciona, com o crescente uso dos meios digitais de pagamento. “Hoje, o celular se tornou peça fundamental nos pagamentos, trazendo novos termos para nosso cotidiano, como QR Code ou pagamento por aproximação. Nessas condições, temos a oportunidade de debater o assunto de CBDC como ferramenta complementar, para trazer mais eficiência e inclusão”.
 
Ainda segundo Mello, o desenvolvimento da moeda digital brasileira tem de ser gradual, de forma que permita ao regulador avaliar os riscos e benefícios dessa inovação, definindo adequadamente a regulação necessária.
 
“Posso afirmar que a estratégia do regulador é a de estimular reformas estruturais que lidam com falhas de mercado, com potencial de promoverem benefícios de longo prazo para nossa sociedade. O BC busca, nesse contexto de inovações, permitir que os consumidores se aproveitem, de forma segura, dos enormes benefícios que as mudanças tecnológicas trarão, ao passo que irá zelar pela solidez prudencial e pela proteção dos dados dos cidadãos e das empresas”, completou. (Agência Brasil)
compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Théo Mariano

*

Postagens Relacionadas
Infraestrutura
28.02.2026
Caiado e Daniel Vilela inauguram duplicação do Anel Viário do Daia em Anápolis

A Redação Goiânia – O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o vice-governador Daniel Vilela inauguraram, neste sábado (28/2), a duplicação, reabilitação e adequação do Anel Viário do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). A obra amplia a capacidade do trecho de 7,98 quilômetros que conecta a GO-330 a BR-060 e reforça a infraestrutura de um […]

Eletricidade
28.02.2026
Empresário é preso por furto de energia no Jardim da Luz em Goiânia

A Redação Goiânia – Um empresário foi preso em flagrante na noite de quinta-feira (26/2) por furto de energia elétrica no Jardim da Luz, em Goiânia. A prisão ocorreu durante uma operação conjunta da Equatorial Goiás com a Polícia Civil. A operação teve início após equipes técnicas identificarem inconsistências no padrão de consumo de energia […]

Trânsito
28.02.2026
Mabel lança força-tarefa de sinalização viária em Goiânia

A Redação Goiânia – O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel, lançou, neste sábado (28/2), no Setor Pedro Ludovico, a primeira frente de serviço para recomposição emergencial da sinalização viária na capital. A força-tarefa percorrerá todos os bairros de Goiânia e vias recém-recapeadas, restabelecendo a regulamentação viária e reduzindo riscos à população. “Segurança viária é prioridade […]

Rodovias
28.02.2026
Carro sai da pista e capota na GO-217 em Piracanjuba

A Redação Goiânia – Um homem de 31 anos teve cortes, escoriações e outros ferimentos leves após sair da pista e capotar na GO-217, em Piracanjuba, na manhã deste sábado (28/2). A vítima foi resgatada por equipes do Corpo de Bombeiros a cerca de 20 km do município. No local, a equipe encontrou o motorista […]

Entre Ouro Verde e Petrolina
28.02.2026
Três pessoas ficam feridos após caminhonete capotar na GO-330

A Redação Goiânia – Três pessoas ficaram feridas após uma caminhonete sair da pista e capotar na GO-330, entre os municípios de Ouro Verde de Goiás e Petrolina de Goiás, na manhã deste sábado (28/2). O acidente aconteceu por volta das 6h34, no km 343 da rodovia, na zona rural de Ouro Verde. De acordo com […]

internacional
28.02.2026
Companhias aéreas suspendem voos para o Oriente Médio após ataques ao Irã e resposta militar do país

São Paulo – As empresas aéreas Qatar Airways, Turkish Airlines e British Airways cancelaram voos na região do Oriente Médio, em meio a trocas de ataques entre os Estados Unidos e o Irã. A Qatar Airways afirmou que está suspendendo temporariamente os voos em seu hub em Doha devido ao fechamento do espaço aéreo do […]

Internacional
28.02.2026
Trump pede que iranianos assumam o governo e alerta para ‘morte certa’ de quem resistir

São Paulo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado, 28, que o país iniciou uma “operação ampla e contínua” contra o regime iraniano e alertou que Teerã “deve abaixar as armas ou enfrentar uma morte certa”. As declarações foram feitas em um vídeo de oito minutos divulgado após o anúncio dos […]

Advocacia
28.02.2026
Curso “Psicanálise e Direito: Interlocuções” será realizado na sede da ESA/GO

A Redação Goiânia – Será realizado na Escola Superior de Advocacia de Goiás (ESA/GO), em Goiânia, o curso “Psicanálise e Direito: Interlocuções”. A programação, precisa para dia 26 de março, começa a partir das 19h. As inscrições podem ser feitas no site da Escola. A proposta é promover o diálogo entre duas áreas fundamentais do […]