O papa Bento XVI concedeu neste sábado (22/12) o perdão de Natal ao seu ex-mordomo, desculpando-o pessoalmente por roubar e vazar documentos particulares em uma das mais graves brechas de segurança do Vaticano nos últimos tempos. Depois de um encontro de 15 minutos, Paolo Gabriele foi liberado e retornou ao seu apartamento na Cidade do Vaticano, onde vive com a esposa e três filhos.
O Vaticano informou que ele não poderá continuar vivendo e trabalhando lá, mas disse que encontrará emprego e moradia para Gabriele em outro lugar muito em breve. “Este é um gesto paternal para alguém com quem o papa compartilhou a vida diária por muitos anos”, de acordo com o comunicado do secretariado do Vaticano.
O perdão encerra um capítulo doloroso e constrangedor para o Vaticano, coroando um escândalo no melhor estilo hollywoodiano que expôs disputas por poder, intrigas e alegações de corrupção e ligações homossexuais nos mais altos patamares da Igreja Católica. Gabriele, 46, foi preso em 23 de maio depois que a polícia do Vaticano encontrou o que chamou de um “enorme” esconderijo de documentos papais no seu apartamento. Ele foi condenado por roubo grave pelo tribunal do Vaticano em 6 de outubro e, desde então, esteve cumprindo uma sentença 18 meses no quartel policial.
O ex-mordomo do papa disse aos investigadores que deu os documentos ao jornalista italiano Gianluigi Nuzzi porque achou que o pontífice não estava sendo informado do “mal e da corrupção” no Vaticano e pensou que expondo-os publicamente colocaria a Igreja no caminho certo. Durante o julgamento, Gabriele testemunhou que amava Bento XVI “como um filho ama seu pai” e que nunca teve a intenção de prejudicar o pontífice ou a Igreja. Uma foto tirada durante o encontro deste sábado – a primeira entre Bento XVI e aquele que um dia foi seu mordomo de confiança – mostra Gabriele vestido em seu típico terno cinza escuro sorrindo. (Agência Estado)