Goiás – Está rolando a décima quinta edição do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Goiás (Fica 2013) – o trabalho na produção do evento é pesado e por isso estou meio sumido desse espaço, vacilo pelo qual peço envergonhadas desculpas, caro leitor, e prometo retomar a normalidade das atualizações na semana que vem.
Toda vez que venho à histórica cidade de Goiás, tenho um roteiro gastronômico que percorro e não deixo passar batido. A lasanha verde do Restaurante Dalí, os almoços de culinária regional do Braseiro e da Flor do Ipê, a sensacional pizza da Trapiche, a empada da Patricinha são alguns dos pratos que sempre vou atrás. Hoje quero destacar um desses imperdíveis, o mais simples, o mais barato e o que mais atiça a memória afetiva: o biscoito frito.
Desde a primeira vez que vim à Vila Boa, na mais tenra infância, sempre comi um biscoito frito das lanchonetes do Mercado da antiga capital. Acompanhado de um café, é o lanche perfeito: barato, apetitoso e que satisfaz enormemente. As virtudes são inversamente proporcionais à quantidade de dinheiro que sai de sua carteira ao fim do rango. Seja logo cedinho, seja no lanche do meio da manhã, seja na hora da fome vespertina, o biscoito frito sempre é uma opção de altíssimo custo-benefício.
É uma alternativa das mais saudáveis? É elementar que não. Mas esse é um daqueles pratos que se não é o ideal para o físico, acalenta a alma. Não dizem por aí que as doenças do espírito são o mal maior do mundo de hoje? Pois então, biscoito frito com café é a panaceia para esses problemas!
O biscoito frito atinge seu ápice do sabor logo que sai da frigideira gigante. Mas isso não quer dizer que o que está na estufa deva ser desprezado. Sem radicalismos. Até mesmo aquele amanhecido tem seu charme e merece consideração. Tem sabor de infância. Tem gosto de quando a vida era mais fácil, tem cheiro de quando não precisávamos estar conectados 24 horas por dia e não sofríamos crise de ansiedade por não acessar as redes sociais. Biscoito frito lembra um tempo que celular era coisa de filme de ficção científica ou do desenho dos Jetsons. É memória afetiva para mais de metro.
Quando a saudade aperta e estou em Goiânia, vou ao Mercado da 74 e tento matar a vontade. Não é do mesmo padrão do de Goiás, mas chega perto. Faça um favor a você mesmo: caso venha à Goiás para curtir o espetacular final de semana do Fica, vá ao Mercado e coma um biscoito frito. Sinta o cheiro do ambiente, observe as feições, converse sem pressa, beba o café com calma para não queimar a língua. Lembre-se do tempo em que viver era mais fácil e menos urgente. O poder do biscoito frito de provocar essa boa sensação é indescritível.