Goiânia – A garotinha que se denomina blogueira fitness mirim ganhou a pauta nacional. E os debates são variados. Os pais estão certos ao permitir essa carga de exercícios para a menina? E criar uma conta de Instagram para compartilhar as fotos é positivo? Chamá-la de “musinha” não seria uma sexualização precoce?
Vou ser sincero: não me sinto apto para palpitar na criação de filhos dos outros. Se em relação às minhas próprias garotas sou cheio de incertezas, imagine falar acerca de outra casa. Cada um, cada um. Só posso dizer que se fosse minha filha, eu não faria assim. Se isso é certo ou errado, é outro debate do qual não tenho convicção alguma de nada.
O pai da menina é profissional da área. Trabalha como personal trainer. Nada mais natural do que os filhos acompanharem os pais no serviço e, fato comum, seguirem aquele métier quando chega a idade de escolher uma carreira. Logo, o interesse dela por exercícios físicos não é de causar espanto, já que esse é o ambiente em que o pai está envolvido.
Em entrevista, o pai afirmou que criou uma tabela apropriada para os 9 anos de idade da menina, apostando no lúdico. Não duvido. Acredito que ela deve se divertir de fato na academia. O problema é que nessa fase da vida o esporte tem também a função socializadora, não só de entretenimento. E as atividades coletivas são mais apropriadas para esse fim do que as individuais. Sei que é possível socializar em uma academia, mas acredito que isso seja mais fácil em uma quadra jogando queimada do que pulando corda em frente a um espelho.
Mas até esse ponto é só questão de gosto. O problema central, ao meu ver, é a conta no Instagram. Acho que é muito precoce alguém de 9 anos estar nesse mundinho de disputa por seguidores e curtidas. Se já acho deprimente ver contas de estudantes universitários cheias de selfies com frases de auto-ajuda como legenda implorando indiretamente por curtidas, para uma garotinha considero uma excrecência completa.
Se ela ficasse só na academia cumprindo a tabela que o pai criou, essa polêmica sequer estaria instalada, já que o assunto estaria restrito ao âmbito familiar. Quando entrou para a rede social e a alcunha “musinha” foi adotada, ganhou destaque e cá estamos falando sobre isso.
Tenho a convicção de que os filhos são nossos projetos de como queremos um mundo melhor. Eles são a visão dos pais sobre o tipo de educação, valores e ideias para o que entendemos como cidadão referência. E isso varia de família para família. Como já disse anteriormente, cada um que crie seu filho da forma que entender, mas, caso se tratasse de minha responsabilidade, a coisa em relação à menina seria diferente. Para melhor ou pior, depende do referencial.