Assisti ao vídeo do chamado “Clube da Luta” no banheiro de um dos mais famosos colégios particulares de Goiânia, o WR. A galera já apelidou a prática de UFB, sendo que a letra B é oriunda de banheiro. A TV Anhanguera fez a reportagem e a disponibilizou em seu site. Confesso que estava curioso para ver do que se tratava. Como a molecada de hoje está fazendo algo tradicional do universo masculino?
Briga de jovens em escola é algo que acontece desde que o mundo é mundo. Seja escola pública ou particular. Eu queria ver como esse evento marcante da infância e adolescência de todos acontece no mundo de hoje. Ainda mais em um colégio elitizado e tido como “linha dura” (outros diriam fascista) na parte disciplinar.
Quem nunca sofreu com o “pego você lá fora!” dito por alguém mais forte na escola, não viveu o mundo real. Viveu no mundo dos Backyardigans. Era pura tensão. A professora podia estar ministrando a matéria mais legal de todo universo. Nada disso interessava. Só importava como sair da escola e chegar em casa são e salvo, sem tomar uns cascudos do valentão repetente que batia em todos.
Tem diferenças claras do mundo que vivi para esse que assisti do WR. A minha realidade era mais espontânea, sempre com alguém mais forte querendo descer o cacete no mais fraco. A parte frágil tinha um único objetivo: não tomar porrada e não ser tido como frouxo pela opinião pública do pátio da escola. A equalização dessas duas variantes era mais complexa que a paz no Oriente Médio. Não era algo combinado, filmado, com regras e sem ruídos para não chamar a atenção como vi no Youtube.
Chama também a atenção o não uso do espaço público para esse hábito. Na minha escola era a pracinha. Já ouvi casos de ser na esquina, no fliperama próximo ou na lanchonete. Os garotos de hoje são tão acostumados com grades, cercas e afins que, até para fazer aquilo que sabem que é errado, vão ao banheiro. Não encaram a rua. A geração de condomínios verticais do Bueno ou horizontais da GO-020 está chegando lá. E que Deus nos proteja!
Meu amigo Henrique Augusto, companheiro de mais de década da Rádio Interativa, alertou para outra nuance do fato. Como estamos tratando de estudantes que vivem sob pressão infinita para um resultado imediatista, a aprovação no vestibular, é natural que extravasem em algum lado da vida.
Segundo reza a mítica popular do WR, a molecada ali é proibida de chegar queimada de sol, leva esporros homéricos por motivos banais, vive com a faca no pescoço por conta de algo que deveria ser consequência de uma sólida educação ao longo dos anos e que se transformou em fim: o nome na lista de aprovados de alguma universidade conceituada. Parece que as pessoas se esqueceram que é na adolescência que fazemos as maiores burradas de nossa vida.
Se um moleque não pisa na bola durante esse período, vai pisar depois. Na boa, é mais recomendável que seja na adolescência. Antes brincar de Clube da Luta com regras e de forma combinada com os amigos no banheiro do colégio do que tacar fogo em índio ou afogar calouros em festa de confraternizações na universidade.
A pergunta que fica é: que juventude é essa que estamos formando para nos servir enquanto sociedade? Deixo com você a resposta.