Até agora estou tonto com o que vi pelo Youtube. Sério, alguém aí consegue me explicar o que foi aquela apresentação do Bruce Springsteen no Rock in Rio? O cara não fez um show, ele deu uma aula. Essas bandinhas de tom blasé que surgem em cada esquina deveriam assistir esse vídeo no repeat para ver se aprendem algo.
Eu já estava prevendo que seria algo especial, mas o que aconteceu sábado no palco principal do festival é de patamar histórico. Algo no nível de entrar para os anais do show biz tupiniquim. E para quem estava lá, certamente nas histórias que os netos se cansarão de ouvir.
Mesmo que você não conheça a carreira de Springsteen além dos hits, se emocionará com o espetáculo. Mesmo que você não conheça música alguma do cara, não perceberá o tempo passar. Não é show para cantar junto, é show para sentir cada acorde, cada momento, vibrar com cada gota de suor que escorre na testa do cara. Duas horas e quarenta minutos de caráter épico.
Aliás, épico é algo que comumente vemos associado aos shows e músicas daquele cujo apelido é The Boss. As descrições das lamúrias do povo trabalhador nas letras de Springsteen sempre são narradas em tom redentor, épico. Entrega é outra característica que vemos de monte associada aos shows da figura de New Jersey.
E a razão é facilmente compreensível. Se fosse jogador de futebol, Springsteen seria aquele camisa cinco que a torcida ama por causa da raça, qualidade no passe e liderança do grupo. Um típico capitão adorado pelas arquibancadas.
Carisma é algo nato. Não há escola que ensine alguém ser carismático. Bruce é um cara que transpira carisma. Sua entrega ao público é a prova disso. Chama as pessoas para dançarem no palco, desce junto à plateia inúmeras vezes, coloca um garoto para cantar, abre show com clássico de Raul Seixas.
E não é só no horário de expediente que ele foi carismático. Bruce atendeu fãs que estavam na porta do hotel e tocou violão para eles, circulou pela Lapa, se divertiu na imensidão do Atlântico carioca, acenou para os sacais paparazzi. Como o cara consegue jogar bem nas onze posições do campo?
Sobre a parte musical, meu amigo, que banda… A E Street Band tem tanta gente no palco que é difícil prestar atenção em alguém específico. Todos colaboram para a parede sonora que acompanha o líder do time. E Springsteen sabe reconhecer o valor de cada um dos músicos, interagindo com a banda da mesma forma que envolve o público.
Depois da experiência exitosa no Rio de Janeiro e também em São Paulo, torço para que Bruce inclua o Brasil com frequência maior em suas futuras turnês. Na próxima, não quero perder a chance de assisti-lo ao vivo. E se eu puder lhe dar um toque, aconselharia que você fizesse o mesmo.