Ontem assisti ao show Live at Last que o Multishow HD está passando do mestre Stevie Wonder. Sério, doeu o coração saber que ele estará aqui no Brasil no Rock in Rio e não poderei ver sua apresentação. O motivo é até justo, pois foquei meu orçamento para eventos desse semestre nos shows de Eric Clapton e Ringo Starr. Pensando melhor, não é justo coisíssima nenhuma: perder um show do gênio cego da visão mas um colosso na audição nunca é justo.
Wonder continua sensacional no palco tal qual sua fase áurea (em minha modesta opinião, em meados da década de 1970) e seu show é uma verdadeira celebração aos bons sons. Gravado em Londres no segundo semestre de 2008 e lançado no começo de 2009, o DVD é o primeiro registro autorizado do artista nesse formato. A espera de tanto tempo foi amplamente recompensada. O cara dá um show de técnica, sentimento e groove.
A banda de Wonder é gigante, como seu talento. São quatro vocalistas de apoio nos backing, dois guitarristas, dois percussionistas, dois tecladistas, baterista, baixista, trompetista, saxofonista, além do próprio no vocal principal e seu teclado timbradíssimo. O que mais impressiona no repertório é a amplitude de estilos que o gênio tateia e domina com maestria. Blues, jazz, soul, reggae, funk, baladas radiofônicas… Todas exalando sensibilidade descomunal.
O show começa com a banda mandando um blues e Wonder fazendo um riff de gaita, na melhor tradição sulista estadunidense. Na sequência, um reggae de primeira em homenagem ao rei do estilo, Bob Marley. O jamaicano inclusive estampa a manga da camisa que Wonder usa no show. Claro, de mestre para mestre. Para fazer o jogo da plateia inglesa, ele que não é bobo nem nada, faz um medley de clássicos do rock britânico, com destaque para Beatles e Rolling Stones, é claro!
Mas a parte que mais me interessa no trabalho de Wonder é o groove. E nessa parte o show não poupa clássicos. Superstition e Higher Ground são minhas preferidas. Bem, minhas e de todos os súditos da rainha, pois os ingleses dançaram horrores enquanto Wonder detonava em cima do palco.
Se tiver em casa quando esse show passar novamente, não perca. É uma baita experiência ver Stevie Wonder no palco. Se for ao Rock in Rio em outro dia que não o de Wonder, venda um rim mas não deixe de assistir o cara ao vivo. Rim você tem outro. Oportunidade de ver o mito ao vivo não é tão certo que outra pintará em sua vida… Se você vai no show dele aqui no Brasil, minha sincera inveja. Eu queria muito estar no seu lugar.