Goiânia – Nos dias de hoje, você percebe que o mundo está rodando em uma velocidade diferente da sua pelo que recebe dos grupos de WhatsApp que participa. Como diz o Away, o maníaco cria um grupo e você fica lá por educação. O cara manda aqueles vídeos jurando que é engraçado e você, como diz o ator que se tornou conhecido no humorístico Hermes e Renato, torcendo para ele perder os dedos e nunca mais lhe mandar uma mensagem. O pior é quando acha que todo mundo no grupo compartilha da mesma perspectiva política dele. Aí é dose!
Eu ando trabalhando a sublimação diária para não entrar nesse Fla x Flu insano do jogo político brasileiro atual. Estou velho para essa birrinha recíproca. Além do que preciso trabalhar para pagar as contas. E meu tempo disponível para groselha, dispendo de forma mais divertida. Walking Dead e futebol, por exemplo.
A cegueira da militância política brasileira está grande demais. Os raivosos babam, urram como primatas nas redes sociais. Como se somente o outro lado fosse ladrão e indigno. Ninguém olha para o próprio umbigo. Sentam no rabo sem o menor constrangimento e atiram pedras no adversário. Estúpido. Patético. Limitado.
Ontem (19/3), em dois grupos que participo, a pancadaria foi farta para o lado de Marconi Perillo. Os cegos não admitiram os elogios do governador para a presidente Dilma Rousseff no evento do Paço Municipal. Sentiram-se traídos pelo tucano. Quanta ingenuidade. Ou burrice.
O que eles queriam? Que Marconi subisse no palco batendo uma panela? Que tirasse o blazer e exibisse uma camiseta Fora Dilma? Que a chamasse de vaca ou puta tal qual gritado das varandas durante pronunciamento da presidente no dia 8 de março? Que puxasse o educado coro emanado das arquibancadas na abertura da Copa do Mundo? Pelo amor da Virgem! Ele estava lá como governador de Goiás, em evento da Prefeitura de Goiânia, recebendo a presidente do Brasil. Existe algo de protocolar nessa situação.
Também ficaram indignados quando o sobrinho do deputado federal sul-mato-grossense Zeca do PT zoou as manifestações do dia 15 de março. E dá-lhe textão no WhatsApp falando de que aquilo era um descalabro, um desrespeito e coisa e tal. Onde diabos enfiaram a autocrítica?
Não sei como são os grupos que vocês frequentam, mas do meu lado, 95% da zoeira política que recebo é direcionada à Dilma, Lula ou PT. Então os partidários do governo não têm o direito de fazer zoeira não? Que bela noção de reciprocidade, né? Mesmo para um vídeo completamente anódino, a reação mostra que o espírito não é essencialmente democrático. Para os cegos, a piada só tem valor quando o alvo é o outro. Até a zoeira tem que ser de mão única.
Nesse caminho de extrema polarização e vista grossa para as próprias contradições, estamos indo para um destino perigoso. E, ao invés de corrigirem a rota, os fanáticos estão engatando quinta marcha rumo ao abismo.