A Redação
Goiânia – O Governo de Goiás, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), investe R$ 12 milhões no Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia). São R$ 7 milhões destinados a bolsas de estudo, R$ 4 milhões em capital e R$ 1 milhão para custeio. A iniciativa é fruto de parceria entre a Fapeg, a Secretaria de Desenvolvimento e Inovação (Sedi) e a Universidade Federal de Goiás (UFG).
Entre as soluções em desenvolvimento estão acompanhamento fiscal para evitar evasão de receita, identificação de placas veiculares e reconhecimento de imagem utilizado pela Secretaria de Segurança Pública. O Ceia também desenvolveu projetos para a indústria agro no lançamento da rede de internet 5G, em Rio Verde. “A inteligência artificial talvez seja a tecnologia mais disruptiva, no sentido de maior transformação da nossa sociedade, maior impacto no nosso dia a dia”, resume o secretário-geral de Governo, Adriano da Rocha Lima.
A mais recente entrega do Ceia para o Governo de Goiás foi o chatbot da Expresso, lançado em maio. A plataforma oferece serviços em mais de 18 categorias, envolvendo agricultura e pecuária, assistência social, ciência e tecnologia, comunicação e transparência, cultura, educação, empreendedorismo, indústria e comércio, esportes, finanças e impostos, infraestrutura e habitação, justiça, meio ambiente, saúde, segurança pública, transporte, turismo, trabalho, emprego e previdência, veículos e condutores. O objetivo é garanti inclusão e aumento na capilaridade da prestação de serviços públicos.
Outro fruto da parceria com o governo estadual foi o chatbot para atendimento a pessoas com suspeita de covid-19, que evitou milhares de comparecimentos físicos desnecessários a unidades de saúde. Mais uma solução com inteligência artificial encontrada por pesquisadores do Ceia foi a correção automática de redação que possibilita aos alunos da rede estadual de educação um resultado instantâneo e preciso, tecnologia que também despertou interesse de outros dois estados da federação.
Academia
À frente do Ceia, o professor doutor Anderson Soares, da UFG, foi indicado recentemente pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações para integrar, nos próximos dois anos, junto com outros cinco pesquisadores brasileiros, o Comitê de Governança de Dados da Aliança Global de Inteligência Artificial, uma ação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
A proposta do Comitê, que conta com representantes de vários países, visa ao aumento da competitividade dos países no desenvolvimento de IA, além de criar e recomendar diretrizes de boas práticas nos sistemas de inteligência artificial, dentro de valores éticos, morais e sociais. Para o professor, no Brasil, o Plano Nacional de Inteligência Artificial e o apoio do governo federal para a implantação de centros nacionais de IA vão acelerar o processo de desenvolvimento desta área.
Muitas teses, projetos, dissertações do mundo acadêmico já estão resultando em produtos de alta tecnologia capazes de promover um grande impacto na qualidade de vida do cidadão. “Disponibilização e/ou transferência de tecnologia e formação de Recursos Humanos altamente qualificados são os principais focos do Ceia, mas existem outros temas que acreditamos serem importantes para toda a sociedade e que o Ceia pode contribuir, como a construção da visão empreendedora em todos os pesquisadores e a popularização da ciência como instrumento de trabalho”, comenta.
O professor defende a integração entre academia, setor privado e governo para gerar soluções efetivas para problemas do mercado e para alimentar o conhecimento acadêmico e fala da necessidade crescente de construção de uma sede física para o Ceia. “Em um primeiro momento o foco foi estruturar, crescer a capacidade de formação de recursos humanos e ampliar a captação de projetos. Agora que já temos a demanda, graças ao sucesso nas ações de ampliação de projetos, faz todo sentido ampliarmos nosso espaço físico”, destaca. Atualmente o Ceia conta com cerca de 250 pesquisadores e a perspectiva é que este número cresça ainda mais, comenta Anderson Soares.
“Esperamos até o final de 2021 realizar a reforma de um espaço físico na escola de engenharia da UFG onde serão instalados os laboratórios de veículos autônomos e internet das coisas”. Segundo ele, o projeto está pronto e o processo licitatório deve ter início em breve, “mas esta reforma é insuficiente para o nosso ritmo de crescimento. Nosso desafio é estabelecer um projeto de espaço físico ainda mais audacioso”, frisa o professor.
Além do Governo, os maiores parceiros e investidores do Ceia do setor privado são a Copel Energia (Paraná), Cyberlabs (Rio de Janeiro), Americas Health (Goiás), iFood (São Paulo) e Data-H (São Paulo). “Nós desenvolvemos projetos com a iniciativa privada desde 2013 e estávamos mantendo um bom ritmo de crescimento ao longo dos anos. O desafio que nos foi colocado pela Fapeg foi acelerar este crescimento com recursos para infraestrutura e aumento do capital humano de pesquisa. E deu muito certo. Nós captamos mais recursos em 2020 do que o valor somado de todos os anos anteriores em um verdadeiro crescimento exponencial. E as perspectivas para 2021 são ainda melhores. Além do investimento em recursos, a Fapeg nos ajudou com estratégias que se mostraram muito assertivas, como o credenciamento na Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial – Embrapii”, disse Anderson Soares.
Conhecimento e produto
A UFG se destaca como pioneira na criação do bacharelado em Inteligência Artificial no Brasil. Quarenta estudantes ingressaram, em 2020, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), e desde então participam do desenvolvimento de projetos tecnológicos inovadores. “Esses estudantes recebem bolsas de R$ 600 a R$ 3 mil. Os projetos de grande porte do Ceia possuem tarefas de pequena a grande complexidade que podem ser distribuídas desde a alunos ingressantes a alunos de doutorado”, comenta o reitor da universidade, Edward Madureira.
Além da imersão dos alunos nos projetos de inovação, o reitor explica que a UFG iniciará uma nova fase de investimento em infraestrutura. Ele revela que será adquirido mais um supercomputador de alto desempenho para IA, o segundo em menos de três anos. Comemora ainda que a Escola de Engenharia passará por reforma para abrigar o primeiro laboratório de veículos autônomos sobre a plataforma de carros elétricos. “O Brasil tem laboratórios deste tipo, mas para veículos mecânicos e à gasolina”, explica.
Para Edward Madureira, o Ceia traz um ambiente de grandes oportunidades de inovação e pesquisa que podem alavancar soluções tecnológicas e o desenvolvimento cada vez maior dessa área no Estado. “A UFG é pioneira e continua com o grande desafio e missão de que o curso de Inteligência Artificial concilie a formação sólida que oferecemos tradicionalmente com um modelo em que o conhecimento tenha conexão rápida com os problemas práticos”, comentou o reitor.
Foto: INF-UFG