Fiquei puto com o resultado do Goiás ontem no Serra Dourada. Não sou torcedor ufanista e sei que as chances esmeraldinas de chegar à segunda final da história do clube na Copa do Brasil são pequenas. O placar de 2 a 1 para os cariocas foi um balde de água do Alaska em nossas cabeças, nação verde do Planalto Central.
A razão desse péssimo resultado? Para mim, são dois pontos que pegaram para o Goiás ontem: a ausência de Walter e a absoluta falta de futebol de quem estava em campo. Simples assim. O Flamengo aproveitou bem as chances que teve com o talento de seus jogadores, Paulinho e Chicão, que com dois golaços deixaram nossa vaga mais longe.
Acho chatíssima essa choradeira culpando o juiz pelo resultado. Pelo que vi nas redes sociais, dois foram os lances que, segundo a galera que reclama, mudariam o destino do Verdão: a falta marcada que originou a belíssima cobrança de Chicão e uma puxada na camisa de Wellington Júnior dentro da área. Não acho que foi isso que determinou o resultado da partida.
Concordo que a arbitragem errou nos dois lances, mas vamos analisar com um pouco mais de profundidade e sem deixar que a paixão cegue a razão. A falta deveria sim ter sido marcada no lance anterior, no início da jogada. Ponto. Contudo, depois do erro, existem mais fatores para serem observados. Primeiro que uma falta daquela posição está longe demais de ser um gol feito até mesmo para os mais brilhantes cobradores. Demos o duplo azar de o zagueiro rubro-negro acertar um belo chute e de Renan falhar ao deixar entrar uma bola defensável.
No lance do pênalti, o erro do árbitro foi estar longe da jogada. Mas é bom destacar que foi um puxão mais para o lado do discreto do que para o lado do explícito. Não foi como aquele que Zico levou na Copa de 82, que o zagueiro italiano Claudio Gentile deixou o 10 da Seleção com a camisa rasgada em lance dentro da grande área. Foi bem mais sutil. Era uma penalidade, digamos, passível de erro de marcação para várias arbitragens.
E que saco é ler os adeptos da conspiração que enxergam complô em tudo. Parece que todo universo conspira contra o time desses caras. O juiz, federação, CBF, imprensa esportiva, Globo, Lula, Papa, Obama e até mesmo aquela vizinha macumbeira. Pelo amor da Virgem, meu povo…
Não sou ingênuo de achar que futebol não seja movido a interesses, mas lembre-se que time de expressão igual ou inferior ao Goiás já levaram a Copa do Brasil. Criciúma, Sport, São Caetano, Juventude e, veja só você, até mesmo o Paulista de Jundiaí. Se essas equipes conseguiram furar a suposta armação, o que faltou ao Goiás caso não consiga passar pelo Flamengo? Simples: futebol. Sem Walter, o Goiás já estaria eliminado há tempos da Copa do Brasil e lutaria nesse momento contra o rebaixamento na Série A.
É difícil, mas não impossível, reverter o resultado no Maracanã na próxima semana. Vamos torcer pela recuperação do nosso gordinho que nossa esperança está na camisa 18. Ficar chorando após a derrota é feio demais.