Triste história essa de Jataí. Por inconsequência e com crueldade extrema, duas garotas teriam executado uma universitária de 18 anos. Agora três famílias estão destruídas para sempre. Não há tempo no mundo que apagará a dor de quem perdeu o ente querido. Por outro lado, também não deve ser ignorada a dor das famílias que viram suas garotas supostamente cometerem tal atrocidade. São muitas chagas que permanecerão abertas por décadas. E o pior: segundo o que foi levantado pela imprensa, devido a um motivo fútil.
Eu não tinha consciência do quanto crime passional era comum até que passei por uma experiência profissional que me abriu os olhos para isso. Durante um ano fui editor assistente de Cidades no jornal Diário da Manhã. Na prática, eu era também editor de Polícia, que ficava sob minha responsabilidade.
Dentre minhas funções constavam conversar diariamente com os repórteres da área e ver os chamados “crimes bons”, averiguar o que merecia destaque ou aprofundamento. Também acompanhava o que as delegacias nos mandavam, atendia policiais que eram fontes, recebia denúncias de tudo quanto é tipo. Foi um período de grande aprendizado e que, se tudo der certo, não vivenciarei nunca mais até o fim de meus dias.
Ali percebi o quanto as mortes ligadas a relacionamentos amorosos são estupidamente comuns. Muita gente toma um tiro e nem sabe a razão. Você está conversando com uma garota que deu mole na balada e um ciumento doentio lhe mata sem que você sequer tenha conhecimento do motivo. Ou então a pessoa não consegue conviver com a perda e opta pelo pior dos caminhos. E quase sempre com requintes cruéis.
Nunca concordei com a tese de que um pouco de ciúme é necessário para um relacionamento. Não é. Qualquer dose desse sentimento perverso é altamente prejudicial. Ciúme é ruim. Ponto. Não há quantidade salutar de ciúme. Esse discurso é falacioso e normalmente proferido por pessoas que não conseguem controlar esse sentimento abjeto e, por isso, arrumam esse subterfúgio ardiloso. Amor é permitir, ciúme é controlar. Existe uma incongruência de raiz entre as duas coisas que fica simplesmente inconciliável.
Por fim, nesse momento de extrema tristeza, só podemos respeitar a dor dos envolvidos, oferecer o abraço de conforto e, enquanto sociedade, exigir justiça para quem for responsável pelo crime. Sem revanchismo, sem apelar para o sentimentalismo barato, sem fazer exploração da miséria alheia. Apenas que a lei seja cumprida para dar algum tipo de alento à família da vítima. Se é que isso é possível…