Goiânia – Com mais de 8 milhões de usuários no primeiro mês de lançamento, culminando em mais de 600 milhões de espectadores em 2017, a Twitch Tv – uma plataforma de streaming que transmite jogos online ao vivo – ocupa a 4ª colocação no setor de tráfego total de internet mundial ficando atrás apenas da Netflix, Apple e Google de acordo com o jornal The Wall Street. Este grande fluxo de dados é proporcionado, na sua maioria, por jovens que assistem ou transmitem jogos diariamente investindo cerca de 20h semanais nesse novo modelo tecnológico de lazer e entretenimento.
Com o crescimento colossal da empresa em questões de dados e engajamento do público jovem, foi feito um levantamento de dados – sendo estas algumas transmissões dentro da plataforma – no que tange a interação de jovem, como se interagem e quais caminhos são traçados para afirmarem a sua identidade como consumidores desse conteúdo. Nisso, percebeu-se que os jovens que utilizam a Twitch como forma de entretenimento e até como profissão, fazem uso de uma linguagem específica dificilmente compreendida por aqueles que não estão inseridos nesse grupo social. Este fenômeno que interfere na linguagem padrão, é chamado de socioleto que ocorre quando grupos sociais criam técnicas de comunicação que funcionam como uma variante de uma língua falada, podendo ser escrita, por uma determinada classe social ou grupos sociais.
Dessa forma, aqueles que desconhecem e que não possuem interação com a plataforma ou pessoas muito distantes da faixa etária mencionada, ou do universo gamer, encontram-se excluídos de um universo que se mostra cada dia mais crescente. Nesse propósito, foi-se articulado o fenômeno supracitado com a teoria das mediações de Martín-Barbero que propõe o estudo da comunicação como um fenômeno cultural. Dito isso, olhar o fenômeno como um prática cultural nos coloca a pensar que as técnicas desenvolvidas por grupos específicos para se afirmarem podem ser variadas e ocorrerem tanto na esfera digital quanto na real. Assim, esse fenômeno de criação dos socioletos se dá em diferentes esferas, especialmente na digital por meio da plataforma Twitch.
*João Pedro Barbosa do Nascimento, é pesquisador júnior e participa do Programa de Iniciação Científica da Universidade Federal de Goiás (UFG).
*Lara Satler é pesquisadora orientadora, que investiga o audiovisual na web.