Cleomar Almeida
Apesar de manterem o otimismo nas vendas, os empresários do ramo comercial estão mais cautelosos com o mercado, segundo pesquisa divulgada, nesta segunda-feira (5/9), pela Federação do Comércio de Goiás (Fecomercio). O índice de confiança dos empresários do setor caiu de 126,2, em julho, para 121,1, em agosto. A queda das expectativas de crescimento foi mais intensa, passando de 153,2 para 139,8, no mesmo período. A média dos investimentos também teve um leve recuo, de 113,8 para 112,4.
Os índices variam de zero (pessimismo) a 200 (otimismo) e o número 100 demarca a fronteira entre a avaliação de insatisfação e de satisfação dos empresários do comércio. O presidente da Fecomercio, José Evaristo dos Santos, atribui a queda nas estimativas às medidas adotadas pelo governo federal que, segundo explicou, diminuíram o consumo para evitar a inflação. Ele citou o aumento, por três vezes seguidas, da taxa básica de juros (Selic), o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em relação a financiamentos a longo prazo, que tornou o empréstimo mais caro, e a aplicação de valores compulsórios sobre os depósitos à vista, em bancos particulares.
De acordo com Santos, os empresários que atuam no comércio estão mais cautelosos e desconfiados, embora ainda apostem na melhora do cenário econômico. É o caso do empresário Wandomar Sevério da Silva, 46 anos. Ele tem uma loja de calçados e, apesar de ter constatado dificuldades para vender em agosto, sentiu uma pequena expansão de seus clientes. “Não houve aquele estouro, mas, com esforço, pelos menos consegui manter a média para buscar investimentos, de olho no fim do ano”, disse.
Dono de um supermercado e de uma loja de fraldas, Bruno Crispim de Morais, 23 anos, acredita que o “mercado está meio frio”. Ele disse que não viu tanta diferença nos resultados do seu negócio, se comparados os dois últimos meses, porque vende produtos essenciais para o consumo. “Ninguém fica sem comer ou comprar fralda para o seu filho”, afirmou. Todavia, na avaliação do empresário, quem atua no ramo deve ter estratégias de economia para investir no momento certo. “Compro à vista e revendo a prazo, para garantir um lucro maior e aplicá-lo depois”, pontuou.
A pesquisa foi realizada com empresas comerciais em Goiânia e teve parceria da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).