Em uma entrevista na semana passada ao programa Mulheres da TV Gazeta, Luciano Stein que é escritor, teólogo e professor, disse que "a ausência de coragem torna a pessoa refém de uma realidade que não gosta" e que a "coragem é a materialização da fé".
Se você parar para pensar, quantas vezes você se sentiu refém de algo ou alguém? Quantas vezes você fez ou deixou de fazer algo preocupado(a) com o que os outros iriam pensar?
Seja pelo trabalho, pela cultura financeira de consumir, pela religiosidade, crenças, família ou amigos, todos nós estamos de alguma forma "amarrados" a convenções que não nos fazem felizes.
Muita gente acredita que porque algo sempre foi assim não pode mudar. Tem quem chame de tradição a forma como algo é feito na sociedade. Por anos e anos aquela "tradição" é levada adiante. Alguns gostam, outros não, outros ainda nem entendem o motivo pela qual ela é realizada, apenas reproduzem o que aprenderam.
Muita gente está no "modo automático" da vida. Muitas tarefas, muitas situações são feitas por fazer, para agradar a todos que estão ao seu redor. Mas e você, onde se enquadra nisso tudo?
Quer um exemplo? Festas de fim de ano. Tem quem ame, tem quem odeie. Tem quem goste de reunir família e amigos, tem quem goste de ficar sozinho em casa refletindo, tem quem não ligue, tem quem acha que é só ganhar presentes, tem quem coloca todos os costumes da religião a frente de tudo e todos. É uma variedade de sentimentos nesta época do ano. Mas a pergunta que não quer calar: se você não gosta, por que participar?
As pessoas vão falar sim, afinal muita gente gosta de falar da vida dos outros, mesmo não tendo nada a ver com a situação. Mas se o falatório todo não te prejudica em nada, não prejudica seu trabalho, não prejudica seu modo de viver, por que se torturar em fazer algo só para agradar todos à sua volta?
Tem gente que é feliz sozinho nesta época do ano. Tem gente que é feliz levando uma vida mais solitária com poucos e bons amigos. Já tem aqueles que para "viver" é preciso reunir a galera, fazer uma festa, ter bebida e comida da boa.
O que muita gente não compreende é que as pessoas são diferentes, e isso é que faz a mágica da vida acontecer. A pluralidade é o motor disso tudo. Se todos fossem iguais e tudo fosse sempre da mesma forma, qual seria a graça de tudo?
Portanto é preciso se desprender destas amarras que nos são impostas e começar a viver realmente aquilo que lhe faz bem, lhe faz feliz. Dizer não pode a primeira vista ser algo assustador, incômodo. Mas saber dizer não, saber impor limites ao que você gosta e ao que você não gosta com certeza fará sua vida muito mais prazerosa. E quando digo prazerosa é para você.
Mas para tudo isso como disse Luciano Stein na entrevista, é preciso ter coragem. E ter coragem é algo que nem sempre todos tem. Sendo assim, encontre ai dentro de você sua coragem e se liberte. Viva aquilo que você gostaria de viver, no seu tempo, do seu jeito. Materialize sua fé. Tenha coragem e acredite, tudo ficará bem. E o melhor, do seu jeito.
*Fabrício Santana é jornalista.