Logo

Crescimento do skate tem escolas com filas de espera e fábricas em ritmo forte

22.08.2021 - 09:45:31
WhatsAppFacebookLinkedInX

São Paulo – Menos de um mês depois dos Jogos de Tóquio, as medalhas dos skatistas Rayssa Leal, Kelvin Hoefler e Pedro Barros já impulsionam a modalidade no Brasil. É uma febre: algumas fábricas de São Paulo dobraram as vendas, várias escolinhas do Sul do País têm filas de espera e as pistas se multiplicam.

Em Fortaleza, uma delas foi construída dentro num shopping. A cidade de Porto Alegre promete entregar em setembro a maior pista de skate da América Latina. A Prefeitura de São Paulo promete construir mais três nos próximos anos – hoje, elas são 113. "A gente sente uma procura maior em diversos aspectos, desde procura por cursos de capacitação, atletas se federando, prefeituras pedindo projetos, novas competições. Temos uma demanda bem maior depois da Olimpíada", afirma Roberto Maçaneiro, presidente da Federação Paulista de Skate.

O mercado de fabricação de skates está aquecido. O Estadão visitou a fábrica Decks Brasil, no interior de São Paulo, uma das mais importantes do mercado nacional. No galpão de 340 metros quadrados, 15 funcionários produzem cerca de 500 shapes por semana. Shape é a parte mais importante do skate. É a base de madeira, onde são colocados os eixos (trucks) e as rodinhas. A produção dobrou desde o início da pandemia para atender a um aumento de 600% nas vendas pela internet.

O crescimento também está acelerado na Owl Sports, fábrica que fica em Embu das Artes. Ali, o proprietário Renê Salinas conta que sua produção está tomada pelos pedidos de grandes varejistas. Cauteloso, o empresário com dez anos no mercado não revela os números, mas diz que o crescimento está sendo bom. Esse aumento se divide entre as vendas de skates completos, grande fatia do mercado voltada para os iniciantes, e também na comercialização dos shapes, que costumam ser substituídos a cada dois ou três meses.

Os preços variam de R$ 200 a R$ 300. A Olimpíada deu um novo impulso para um setor que já vinha bem, mesmo com a pandemia. "Com a proibição da prática de esportes coletivos para evitar aglomerações na pandemia, os esportes individuais ganharam espaço, principalmente o skate", explica Eduardo Dias, empresário e vice-presidente da Confederação Brasileira de Skate.

Os números espelham uma fabricação que une processos industriais e talento artesanal. Como a matéria-prima é a madeira, fazer um skate é estar lado a lado com a marcenaria. Isso fica claro no risco a lápis na madeira, no molde que define as curvas e na lixação para o acabamento. É o mesmo cuidado, o mesmo carinho. "O shape ainda necessita de um toque humano para deixar a estética impecável", diz Fagner Marques, gerente de produção.

"Eu ando de skate há 14 anos. Todo skatista tem o sonho de estar envolvido com o que ama. Tenho orgulho de fabricar skates", completa. Onde tem madeira tem pó. No caso do skate, é uma poeira fininha, menor que a serragem. Enquanto conversa com o Estadão, o laminador Lucas Furquim, de 24 anos, bate a mão para tentar tirar o excesso, mas tem orgulho do que faz. "Desde pivetinho, eu gosto de skate.

O skate me trouxe muita alegria, muitas coisas boas. É satisfação fabricar shape, sonho de muitas pessoas", diz. O mercado do skate tem suas peculiaridades. Da mesma forma que Rayssa Leal deixou o mundo de boca aberta ao conquistar uma medalha olímpica aos 13 anos, uma nova geração de empresários vem buscando espaço.

Felipe Helou abriu a Decks Brasil aos 17 anos, nos fundos de casa. Formado em Administração e Marketing, o empresário que nunca teve carteira de trabalho comemora a exportação de shapes para a América do Sul, mas reconhece que foi difícil se impor. "No começo, era mais difícil. O mercado demonstrava certa desconfiança pela minha idade e pelo fato de ser uma empresa nova. Hoje, as coisas melhoraram", confessa Felipe Helou.

Novas pistas
É na pista que o skate ganha vida. E novas opções estão surgindo rapidamente. A Prefeitura de São Paulo informa que são 113 pistas na cidade em parques, centros esportivos e praças. Em fevereiro, foi inaugurada a pista do Vale do Anhangabaú, com 981,3 m² de área em formato de arquibancada.

rês novas pistas serão construídas nos parques Independência, Praia de São Paulo e Nascentes do Ribeirão Colônia. Maçaneiro faz um alerta sobre as pistas. "Em São Paulo, as pistas não atendem a demanda. Cerca de 70% a 80% das pistas de skate estão em mau uso, ultrapassadas ou sem manutenção. É preciso olhar para isso também", afirma o dirigente. No Rio Grande do Sul, a prefeitura de Porto Alegre promete entregar em setembro a maior da América Latina.

Como parte da revitalização da orla do Rio Guaíba e investimentos de R$ 53,4 milhões, a pista abrange 6.268 metros quadrados. São cinco formatos: três verticais (Bowl, Flow Park e Snake Run) e dois da modalidade street (plaza e flow). Sob a consultoria de organizações de skatistas do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, o espaço traz referência a pontos da cidade conhecidos pela prática do skate, como o corrimão da Câmara Municipal.

"Vamos colocar a capital gaúcha na rota dos grandes eventos esportivos, atraindo lazer, turismo e desenvolvimento econômico", promete Pablo Mendez Ribeiro, secretário de Obras de Porto Alegre. No Ceará, existe uma pista de skate dentro do shopping. Localizado no estacionamento do Iguatemi, em Fortaleza, o Cactus Sports Park possui três pistas cobertas para as modalidades olímpicas street e park, além da wave.

O local também dispõe de quadras de areia, campos para futebol society e vários espaços para ginástica, lutas e outras modalidades. O empresário Marcelo Peixoto conta que o primeiro impacto dos Jogos de Tóquio foi o aumento do público. Os horários de pico passaram de 50 pessoas para 90. No final de semana, 1200 pessoas costumam passar pelo local. "Só teremos a noção exata do impacto da Olimpíada quando a população estiver vacinada e pudermos abrir sem restrições", avalia.

Centro Olímpico de Skate
Os skatistas profissionais também tem novos endereços para treinamento. Uma parceria entre a Prefeitura Municipal de Campinas, o Ministério da Cidadania e a Confederação Brasileira de Skate (CBSk) vai construir o 1º Centro Olímpico de Skate no Brasil. Serão 3.100 metros quadrados com pistas de street e park, modalidades olímpicas, um half pipe (vertical), além de academia, fisioterapia, centro de convivência e alojamentos.

Será uma espécie de Granja Comary, o local de preparação da seleção brasileira masculina de futebol, das seleções brasileiras de skate (principal e júnior). O CT do Skate ficará no Centro Esportivo de Alto Rendimento, que recebe atletas da natação, atletismo, tênis e saltos ornamentais.

O investimento será de R$ 8 milhões com entrega prevista para o segundo semestre de 2022. Faltou só citar a primeira força para toda essa roda girar: os novos skatistas. Depois de ficar encantada com o skate olímpico, Melissa Joffe Pacheco já está matriculada em uma escolinha de skate. "Estamos muito felizes e incentivando bastante ela. Gostamos muito desse esporte", diz o pai Francisco Carreira Pacheco, profissional do poker.

Aos 5 anos, Melissa é uma das alunas do professor Affonso Muggiati, da escola Hi Adventure, em Florianópolis. O especialista conta que essa é a maior procura desde que começou a ensinar a modalidade há 17 anos. Entre suas alunas estão Yndiara Asp e Isadora Pacheco, que foram aos Jogos de Tóquio. "A procura não é só de crianças e adolescentes, mas adultos também", diz professor de 45 anos e que atuou 26 como profissional e hoje também é juiz da CBSK.

Fila de espera
Os 50 alunos viraram 100. Já existe fila de espera. Ali, o curso com uma aula por semana (duração de uma hora) custa R$ 250 reais; duas aulas saem por 400 reais. As turmas têm, no máximo, seis alunos. Esse cenário se repete em vários cantos do País. Em Minas Gerais, a Blunt Skate Park, localizada em Belo Horizonte, dobrou o número de alunos na matriz, passando de 45 para 90.

No Paraná, o salto foi ainda mais maior na Curitiba Skate Park: o número de alunos passou de 20 para 60. "Era esperado, a gente sabia que ia acontecer, só não imaginava que seria tão expressivo", diz Roberto Oliveira, um dos sócios da Escola Brasileira de Skate, em São Paulo. Itinerante, a escola leva as rampas e os equipamentos até escolas, condomínios, parques e pistas.

A expectativa é que os 13 colégios que oferecem as aulas atualmente se multipliquem para 20 no ano que vem, quando todos retomarem as aulas presenciais. "Atualmente estamos trabalhando com pedagogos e algumas escolas para encaixar o skate num formato de ensino transversal, dialogando com outras matérias como inglês, geometria e física por exemplo", planeja Oliveira. (Agência Estado)

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Augusto Diniz

*

Mais Lidas
Postagens Relacionadas
FUTEBOL
28.02.2026
Goiás vence a Anapolina nos pênaltis e garante vaga na final do Campeonato Goiano 2026

A Redação Goiânia – O Goiás está na final do Campeonato Goiano 2026. O Verdão superou a Anapolina por 4 a 3 nos pênaltis, após empate em 1 a 1 no tempo normal, neste sábado (28/2), na Serrinha, em Goiânia, e volta a decidir o título estadual depois de duas temporadas.O adversário será Atlético-GO ou Vila […]

TÊNIS
28.02.2026
Em alta após título com João Fonseca, Marcelo Melo vai à final do ATP 500 de Acapulco

São Paulo – Menos de uma semana depois de conquistar o Rio Open ao lado de João Fonseca, Marcelo Melo confirmou a boa fase e garantiu vaga na final do ATP 500 de Acapulco. Desta vez, o mineiro atua ao lado do alemão Alexander Zverev. Na semifinal, Melo e Zverev derrotaram o espanhol Rafael Jodar […]

basquete masculino
27.02.2026
Brasil mantém 100% de aproveitamento nas Eliminatórias para a Copa

Rio de Janeiro – A seleção brasileira manteve 100% de aproveitamento nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de basquete masculino de 2027, que será disputada no Catar, após derrotar a Venezuela por 94 a 84, na noite desta sexta-feira (27/2) na Arena UniBH, em Belo Horizonte. Com o terceiro triunfo em três jogos na […]

Rally
27.02.2026
Goiânia recebe pelo segundo ano consecutivo largada do rally do Sertões

A Redação Goiânia – A capital goiana Goiânia recebe, pelo segundo ano consecutivo, a largada do Sertões 2026, o maior rally das Américas, entre os dias 22 e 30 de agosto. Com o apoio do Governo de Goiás, o investimento estadual é de R$ 3 milhões. A ação reforça a tradição de ser a cidade […]

Tênis de mesa
27.02.2026
Calderano e Takahashi batem dupla número 1 e faturam título no Smash de Singapura

Brasília – Uma façanha e tanto! Os mesatenistas brasileiros Hugo Calderano e Bruna Takahashi derrotaram a dupla número 1 do mundo e pela primeira vez na história levantaram o troféu de duplas mistas em um torneio Smash, que distribui a maior pontuação no circuito mundial (2 mil pontos). A proeza ocorreu nesta sexta-feira (27), na […]

ORGULHO
27.02.2026
Lula recebe Lucas Pinheiro, medalha de ouro nos Jogos de Inverno

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, na manhã desta sexta-feira (27), o atleta Lucas Pinheiro Braathen, medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão – Cortina 2026, na modalidade Esqui Alpino Slalom Gigante. O governo aproveitou o encontro para anunciar que uma das principais políticas públicas federais voltadas a incentivar […]

gestão
27.02.2026
Mabel detalha pacote de ações para a MotoGP em Goiânia

Ludymila Siqueira Goiânia – Faltando pouco mais de 20 dias para a etapa da MotoGP em Goiânia, o prefeito Sandro Mabel apresentou, na manhã desta sexta-feira (27/2), as ações preparatórias da gestão municipal para que a Capital receba o Mundial de Motovelocidade, que ocorrerá entre os dias 20 e 22 de março, no Autódromo Internacional Ayrton […]

velocidade
27.02.2026
Autódromo de Goiânia recebe evento-teste da MotoGP neste sábado (28/2)

Samuel Straioto Goiânia – Antes do retorno da MotoGP ao Brasil após 22 anos, Goiânia recebe, neste sábado (28/2), um evento-teste no Autódromo Internacional Ayrton Senna. A ação antecede o Grande Prêmio na capital, marcado para março, e tem como objetivo validar a estrutura do circuito e toda a operação necessária para a realização da […]