A Redação
O senador Cyro Miranda (PSDB) cobrou nesta quinta-feira (15/9) medidas do governo federal para que o Brasil não passe dificuldades com a crise financeira que assola alguns países. O senador questionou se é possível manter o discurso de controle da inflação em meio ao humor oscilante do mercado financeiro.
Cyro lembra que os R$ 10 bilhões anunciados pelo governo federal para aumentar o déficit primário não pode ser considerado melhoria nas contas públicas. "É muito pouco, quando se consideram as prioridades do país e as pressões previstas sobre o orçamento, confrontadas com o quadro da economia mundial. Nós precisamos, enquanto governo e sociedade, decidir se queremos estabelecer aqui um capitalismo de Estado, com uma União concentradora de imposto e voraz na arrecadação. Se queremos aqui um Estado com desejo inconfesso de controlar a mídia e seguir os mandamentos do Chavismo ou se buscamos estabelecer no Brasil uma economia de mercado, com um ambiente favorável ao empreendedorismo e à competitividade de nossas indústrias, empresas e produtos", afirmou o tucano na tribuna do Senado Federal.
O senador citou o aumento de 13,8% na arrecadação de janeiro a julho de 2011 em comparação ao mesmo período do ano passado e sugeriu que a presidente Dilma Rousseff (PT) diminua os impostos para incentivar o consumo interno e aquecer o mercado interno. Cyro ainda criticou a decisão do governo federal de investir na construção do trem-bala ligando as cidades de São Paulo ao Rio de Janeiro. "O trem-bala é um projeto faraônico inviável financeiramente, são mais de R$60 bilhões. E a saúde? E a educação? Trem-bala. Não traz vantagem para a competitividade dos nossos produtos no cenário mundial. Se o Estado entrar com todas as facilidades que pretende, oferecer-se para realizar a obra, a conta vai ser paga com o dinheiro público."
Fórum
Em debate com os empresários Carlos Luciano (Novo Mundo), Cesar Helou (Adial e Laticínios Bela Vista, Sergio Maia (Saga) e Alberto Borges (Caramuru), o senador articulou a criação de um fórum para que empresários sugiram medidas para diminuir a dívida interna brasileira e impulsionar a economia.
O tucano comparou valores das dívidas dos estados, municípios e União ao final dos governos dos presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luis Inácio Lula da Silva (PT). Ao final do governo tucano a dívida era de R$ 660 bilhões. Já no governo Lula o valor subiu para 1,8 trilhão. “Em 16 anos, o crescimento da dívida pública aumentou 17 vezes, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) aumentou 10 vezes. A relação dívida/PIB no final de 2014 pode chegar a 60%. Em 2026, a projeção é de 111%. Os países europeus estão quebrando com 85%.”
De acordo com o economista Almir Rockembach, autor do projeto “Brasil Sem Dívidas”, o ideal seria a criação de um Fundo de Recuperação de Finanças Públicas, uma espécie de poupança para que os estados tenham condições de conseguir financiamentos. “Ainda não conseguimos sensibilizar o governo com relação à voracidade dos juros. É preciso haver uma mobilização em torno do assunto”, afirma Cyro.
O ciclo de debates com os empresários quer aprofundar as discussões em áreas como infraestrutura, saúde, educação e agronegócios e deve acontecer a cada dois meses.