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David Bowie jogava bem nas 11 posições

12.01.2016 - 09:25:00
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Goiânia – E não é que 2016 começou com um retrogosto amargo de 2015? Essa segunda-feira amanheceu na maior bad vibe com a notícia de que David Bowie havia falecido ontem, aos 69 anos, vitimado por um câncer. Ainda na cama do hotel (estou em viagem de férias), naquela circulada preguiçosa e descompromissada pelas redes sociais, vejo meus amigos postando vídeos e mais vídeos de Bowie. Arrepiei. Confirmei nos sites noticiosos. A tristeza bateu.
 
Acordei minha mulher com notícia e ela trocou seu perfil nas redes sociais pela icônica capa de Aladdin Sane (aquela da face de Bowie com o raio azul e vermelho) e vestiu sua camiseta do Space Oddity para passar o dia. Foi a homenagem dela ao camaleão que entrou em todas as ondas e deixou sua indelével assinatura artística por onde passou.
 
Conheci a fundo a obra de David Bowie quando cursava Jornalismo na UFG. Já sabia de sua relevância, é evidente. Já tinha lido textos e textos a respeito do cara, é óbvio. Via um clipe ou outro dele na MTV, no Clássicos e no Gás Total. Mas não sabia por onde começar na discografia do cara. Extensa demais, com ondas múltiplas surfadas. E, nunca é demais lembrar, a internet banda larga ainda não era onipresente e acessar discografias completas era trabalho inglório.
 
Até que foi lançada uma coletânea dividida em ordem cronológica: a primeira pegava a carreira de Bowie entre 1969 e 1974, a segunda de 1974 a 1979. Comprei os dois CDs na Loja Americana da Anhanguera. Ouvi os álbuns à exaustão. E percebi que não dava para ficar só nos hits de um artista tão relevante. Comecei a comprar os discos em ordem cronológica, um a cada dois meses ou conforme a escassa disponibilidade financeira.
 
Separei alguns sons para você quem não conhece a extensa obra de Bowie e tenha interesse em se familiarizar com seu trabalho.
 
O compositor iniciou sua carreira influenciado pelo folk e, dessa fase, destaco o quase prog Space Oddity, música que batiza seu segundo álbum lançado em 1969.
 
 
Depois ele entra de cabeça no glam, assume a androginia como estilo de vida, e lança uma sequência inacreditável de trabalhos geniais. Separo a música do personagem que ele matou no palco, Ziggy Stardust, no auge do sucesso – esse disco lançado em 1972 até então foi seu álbum mais vendido.
 
 
Influenciado por Iggy Pop, Bowie entra numa fase roqueira e lança discos sujos e de guitarras na cara. Ouça o riff marcante de Rebel Rebel do álbum Diamonds Dogs de 1974 e deixe o rock rolar.
 
 
 
Bowie começa então a se empolgar com o groove dos negões norte-americanos. Cheirando toneladas de cocaína, ele frequentava shows de James Brown nos bairros negros de Nova Iorque e decidiu que o lance agora era deixar o visual sóbrio e entrar no funk. Sucesso estrondoso nos Estados Unidos e que bateu Ziggy em vendas, Young Americans de 1975 é fantástico.
 
 
Em outra reviravolta da carreira, ele se afunda no som som cabeça alemão e dá o pontapé inicial de sua fase Berlim. Desse período, o maior hit é Heroes lançado em 1977.
 
 
O pop oitentista o envolve e ele lança seu maior sucesso comercial em 1983, o álbum Let's Dance. Destaco a música que abre o disco que mostra que, vejam só, música comercial pode ter qualidade e ser instigante.
 
 
Nos anos 1990, Bowie surfa na onda do rock industrial e sons eletrônicos que bombavam no underground britânico. Separo essa de 1997 que retrata bem o período.
 
 
 
Ufa! Tarefa árdua dar uma pincelada geral e de apresentação em uma carreira tão brilhante e multifacetada como a de Bowie. O mais legal é que você vá ouvindo os discos em sua ordem cronológica para entender as transformações e o quanto ele jogava bem nas 11 posições do campo.
 
Missão mais que cumprida, Bowie! Obrigado pela eterna influência!
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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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