Mônica Parreira
Atire a primeira pedra quem nunca cometeu uma loucura pelo seu time do coração. Stefani Costa (23) já até perdeu as contas. A história de vida dessa torcedora mostra porque os corintianos são chamados de loucos. A recém formada em jornalismo não economiza em manifestar seu amor pelo clube que, nesta quarta-feira (4/7), disputa o inédito título da Taça Libertadores diante do Boca Juniors. Semana passada, ela foi de Goiânia a Buenos Aires e agora está em São Paulo, ansiosa pela decisão.
Stefani tem a quem puxar: sua família é mesmo um bando de loucos. A paulista – quase goiana – veio morar em Goiânia aos 4 anos de idade e é corintiana roxa de nascença. Seu pai, Osvaldo Costa, é um dos fundadores da torcida Camisa 12. "Na minha família é todo mundo assim, meu pai, minha mãe, irmãos, tios e primos. Já nasci nesse clima, nunca torci para outro time. Mesmo de longe, continuei acompanhando", conta.
Mulher e futebol
Ver um torcedor fanático já chama atenção. Torcedora então, chega a ser inusitado. "Minha luta é por conquistar o espaço da mulher. Já foi pior porque, querendo ou não, o futebol ainda é um universo machista".
Para Stefani, este cenário vem mudando porque as mulheres estão criando coragem de lutar por aquilo que gostam. Porém, muita coisa ainda deve ser feita. "Se gostamos de ir ao estádio, então vamos dar a cara a tapa e marcar presença nas arquibancadas. E estudar, claro. Procurar saber de futebol. Se o homem ver que você entende, ele vai te respeitar", defende.
Stefani (a segunda da esq. para dir ) reforça a torcida corintiana ao lado das amigas (Foto: arquivo pessoal)
Pé na estrada
Stefani pertence à Fiel Goiânia, grupo que representa a torcida organizada Gaviões da Fiel no Estado. É tradição entre os integrantes se reunir para acompanhar os jogos pela TV. Mas ela vai além. Ao longo de seus 23 anos, já não sabe mais dizer quantos jogos acompanhou in loco.
"Já participei de muita coisa. Estava presente no título brasileiro de 2005 e 2011, no mundial de 2000 além de vários outros jogos. Na semana do centenário, larguei tudo em Goiânia e fui para São Paulo. Fiquei uma semana na rua comemorando e marcando presença em todos os eventos que marcaram essa data tão especial", relembra. A ocasião do centenário foi tão marcante, que rendeu uma tatuagem.
Tatuagem de Stefani em homenagem ao centenário do Corinthians (Foto: arquivo pessoal)
Libertadores
Stefani não está sozinha no quesito mulheres loucas pelo timão. Na última semana, ela e a amiga Tatiana Sarques (31), de Brasília, embarcaram em uma viagem internacional. O destino? Buenos Aires, mais precisamente o Estádio La Bombonera.
Stefani e Tatiana viajaram em um ato de coragem, pois não tinham ingressos para a decisão. "Fomos acreditando que íamos conseguir, e de última hora conseguimos mesmo, valeu a pena".
Stefani e Tatiana em Buenos Aires, no primeiro jogo da final da Libertadores (Foto: arquivo pessoal)
No jogo desta quarta (4), no Pacaembu, o cenário de aflição não é diferente. As duas corintianas estão em São Paulo, loucas atrás de ingressos. "Estou tentando, tenho alguns canais, mas só vou saber se consegui três horas antes do jogo".
Brasil x Corinthians
Em decisões como esta da Libertadores, metade do Brasil torce pelo Corinthians e a outra metade contra, mas Stefani nem se importa. "Sempre foi assim, não é só agora. Em todo jogo importante, é o Brasil inteiro contra a gente. Tento não assistir TV nem ler jornal pra não entrar nesse clima. Não quero saber no que os outros estão pensando, estou focada".
O placar, segundo a corintiana, é difícil prever. Mas o que ela espera é um final feliz para toda essa maratona de viagens. De preferência, que seja concretizado seu palpite: 2 a 0 e o Corinthians campeão da Taça Libertadores 2012.