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Debate presidencial é marcado por ataques e direitos de resposta

30.09.2022 - 01:51:13
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A Redação
 
Goiânia – Sobraram ataques e faltaram propostas no último debate entre os candidatos à presidência da República na noite desta quinta-feira (29/9) e foi dominado pela troca de ataques, especialmente entre Lula e Bolsonaro. O governo de ambos também foi alvo do ataque dos demais candidatos, que por sua vez também trocaram ofensas.
 
Ciro Gomes (PDT), Jair Bolsonaro (PL), Padre Kelmon (PTB), Felipe D’Ávila (Novo), Lula (PT), Simone Tebet (MDB) e Soraya Thronicke (UB) participaram do programa, promovido pela TV Globo. O debate foi dividido em cinco blocos: quatro de perguntas e um dedicado às considerações finais.
 
A corrupção no governo Lula e Bolsonaro foi o principal alvo de todos os candidatos. Mesmo quando as perguntas tinham um tema, muitas vezes os candidatos encontraram uma maneira de contornar o tema e voltar ao ataque.
 
A discussão já começou com intensidade em um embate direto de Ciro com Lula. Neste primeiro momento, o pedetista responsabilizou o petista pela crise econômica e pelo que chamou de “tragédia Bolsonaro”. Lula, por sua vez, disse que a atual gestão “herdou o governo de um golpista”, se referindo a Michel Temer.
 
Bolsonaro, em sua primeira resposta, fez uma dobradinha com padre Kelmon e prometeu a manter o Auxílio Brasil. O presidente ainda aproveitou para criticar o PT: “querem que os mais humildes sofram para que eles sejam os salvadores da pátria” e chamou o governo Lula de “cleptocracia”.
 
Houve também dobradinha no primeiro bloco entre Ciro e Felipe D’Ávila, que também aproveitaram o tempo para criticar o governo Lula. “Como essa pessoa tem capacidade moral para liderar o país?”, criticou D’Ávila. “Presidente Lula quis aprender nada com as amargas lições por que passou”, completou Ciro.
 
Ao ser confrontado em relação às queimadas e ao desmatamento por Simone Tebet, Bolsonaro voltou a afirmar que o Pantanal queima naturalmente. “É impressionante: mente tanto que acredita na própria mentira”, rebateu a candidata. “Eu sou do agronegócio e a chuva está fazendo que a gente produza menos e a comida chegue mais cara na sua mesa”, completou.
 
No tema da educação, Thronicke relembrou os casos de apologia ao nazismo no governo federal e defendeu fortalecer a carreira de professor no ensino básico. Padre Kelmon, por sua vez, acusou as universidades federais de fazerem doutrinação comunista. Na política, Felipe D’Ávila criticou a aprovação do orçamento secreto, enquanto Bolsonaro argumentou os desafios de formar alianças fortes no Congresso Nacional. "Eu sou escravo da Constituição e tenho que cumprir a lei", afirmou Bolsonaro sobre emendas de relator, o chamado orçamento secreto.
 
O debate do direito de resposta
Com tantos ataques, muito tempo foi consumido por diversos pedidos de direito de resposta entre os candidatos. Desta forma, o debate avançou, aos trancos e barrancos. Os ataques ocorriam até mesmo indiretamente, com Bolsonaro se referindo a Celso Daniel quando devia fazer uma pergunta a Tebet. “Falta ao senhor coragem para fazer esta pergunta ao candidato Lula. É lamentável trazer isso no debate, vamos tratar do problema da fome que vossa excelência diz que não tem, o senhor não deve andar pelo Brasil. Não vemos apresentação de propostas, e sim uma competição pra ver quem é mais incompetente, quem roubou mais”, rebateu a candidata do MDB.
 
Quando uma pergunta objetiva era feita, gerava alívio. “Que bom ter a oportunidade de discutir um pouco de Brasil no meio desse bate-boca”, desabafou Felipe D’Ávila após receber uma pergunta de Simone Tebet sobre saúde pública. Mais tarde, em outra pergunta sobre saúde, D’Ávila acrescentou: “está sendo um prazer poder debater o Brasil com a senhora”.
 
Aos poucos, os ânimos voltaram a se acalmar e os candidatos conseguiram abordar algumas das pautas centrais de suas agendas: D’Ávila promoveu a agenda liberal; Tebet falou sobre um agronegócio verde e Soraya voltou a defender a sua proposta de imposto único e de uma ampla reforma fiscal.
 
No último bloco de perguntas, Thronicke perguntou diretamente a Bolsonaro se o presidente pretende dar um golpe e se ele se vacinou. O candidato evitou ambas as perguntas. “Eu respeito a liberdade de cada um. Tomou a vacina quem quis”, disse. Ele também fez ataques: “a senhora gosta de cargo, gosta de se dar bem, virou inimiga porque todos foram tirados. Em Mato Grosso do Sul, ninguém fala no seu nome”. Bonner novamente teve que intervir, pedindo aos candidatos para se aterem aos temas das perguntas.
 
Um inconveniente
 O candidato do PTB, padre Kelmon, chamou atenção por atrapalhar o debate. Com declarações polêmicas, desrespeito às regras, e até mesmo menções diretas a teorias da conspiração, o padre virou assunto e alvo de piadas no Twitter ao mesmo tempo em que tirava os demais candidatos do sério.

O clima escalou entre padre Kelmon e Soraya. “Temos um candidato cabo eleitoral do candidato Jair Bolsonaro”, criticou a candidata do UB, que foi interrompida várias vezes pelo padre Kelmon. “O senhor não tem medo de ir pro inferno não?”, ela chegou a dizer. O padre, por sua vez, disse que todos os demais candidatos têm a mesma agenda que está “destruindo o Brasil”. Ele também convocou o eleitorado a combater Soraya por ela ter desrespeitado um padre: vale ressaltar que o candidato não é e nem foi padre, fato reconhecido posteriormente pela candidata: “o senhor é padre de festa junina”.
 
No terceiro bloco, o bate-boca voltou a acontecer entre padre Kelmon e Lula. Após uma série de interrupções, o microfone dos dois acabaram cortados e Bonner teve que interromper o debate: “Peço desculpa pela cena que está se desenrolando aqui na frente”. “Vocês todos aqui precisam de catequese”, alertou o Kelmon posteriormente.
 
Coube a Felipe D’Ávila novamente, dessa vez com Simone Tebet, a acalmar os ânimos e voltar ao ritmo. Daí em diante, com exceção das interações envolvendo o padre Kelmon, o bloco seguiu sem maiores incidentes, com os candidatos tentando ignorar ou contornar as provocações do religioso.

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por José Abrão

*José Abrão é jornalista, mestre em Performances Culturais pela Faculdade de Ciências Sociais da UFG e doutorando em Comunicação pela Faculdade de Informação e Comunicação da UFG

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