Durante esse Rock in Rio, estou aproveitando para ver uns shows que não assistiria nem sob tortura em situações convencionais. Por exemplo, Ke$ha e Kate Perry. Se essas apresentações tivessem passando na televisão normal, eu não mobilizaria uma vírgula para assistir. Agora, como é no Rock in Rio e o festival é assunto geral, a TV fica ligada e acabo vendo uma coisa ou outra. Nos shows das duas musas do pop feminino, ficou muito claro para mim a dificuldade de fazer algo inovador ou interessante nesse segmento depois da Madonna.
Antes, preciso esclarecer o que considero esse tal de pop feminino. Isso para que você, leitor, entenda minha categorização. Quando digo pop feminino, me refiro a cantoras que trabalham no universo do pop e fazem do espetáculo um elemento central do show, maior até mesmo que a música. Então, além das duas já citadas, entrariam nesse grupo também Lady Gaga, Shakira, Rihanna, Beyoncé e outras aí nessa linha. Já Adele, Amy Winehouse ou até mesmo Janelle Monáe (que eu não conhecia e foi uma grata surpresa) não se enquadram nessa categoria. Ficou claro?
Voltando à questão da Madonna, é difícil demais para qualquer uma dessas cantoras pop trabalhar tendo um paradigma à altura da musa mor. Tudo que Lady Gaga, Shakira, Rihanna, Beyoncé, Ke$ha ou Kate Perry fizerem, a Madonna já fez antes. E o que é pior: melhor, mais ousado, mais impactante. Não sobra o menor espaço para as garotas tentarem algo diferente. Por exemplo, a Madonna foi mais gostosa e ousada sexualmente que todas aí juntas. Enquanto Kate Perry fala que beijou uma garota e gostou, Madonna levou uma dúzia para a cama, filmou e fotografou. Enquanto Beyoncé se esforça para ser rebolativa, Madonna é um Gene Kelly perto da egressa do Destiny's Child. Enquanto Lady Gaga tenta chocar o mundo com defesa aos gays e afronta à igreja com Judas, Madonna atraiu a ira cristã por misturar masturbação e fé. Ou seja, é difícil demais ousar ou inovar tendo a sombra da Madonna ao fundo.
Isso me lembra um episódio do South Park onde a temática central era “os Simpsons já fizeram isso”. O desenho mostrava o drama dos roteiristas em criar algo interessante para o desenho dos quatro amigos politicamente incorretos tendo como paradigma o clássico de Matt Groening. Fico imaginando essas cantoras bolando seus shows e toda hora dizendo: “a Madonna já fez isso”. Por outro lado, pensando sob a perspectiva delas, as garotas têm mais é que tocar suas carreiras sem pensar muito nisso. Se assim fosse, os Rolling Stones teriam entregado os pontos há muito tempo com a história de que “os Beatles já fizeram isso”.
Independente disso tudo, eu, como mero expectador e não fã do gênero, toda vez que vejo uma dessas cantorazinhas no palco ou em clipe, na hora já penso: que pastiche! Afinal de contas, a Madonna já fez isso. E com o agravante de que, como eu já disse, fez muito melhor.