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Depressão? A solução está no sorvete! (leia o texto até o fim)

25.02.2019 - 10:10:00
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Goiânia – Quando no século 4 antes de Cristo, persas e gregos inventaram seus estilos de sorvete, com flocos de neve e águas de rosa, provavelmente não imaginariam o desenvolvimento. Há tantos sabores! Temos os baseados em leite e os sem leite. Temos com mais açúcar e sem açúcar. Sabores de frutas diversas e sabores artificiais inventados. Temos texturas, cores, tamanhos diversos. A vida é bela pela pluralidade de sorvetes que existe.

 
Quem me conhece sabe como sou fã de sorvetes! Para mim, nada é mais prazeroso de se comer que um bom sorvete… Minha refeição favorita seria feita de sorvete. Para mim é impossível alguém não gostar de sorvete!
 
Até o dia que atendi um jovem, com um humor meio “down” que nunca passava, que reclamava muito e não acreditava que o mundo valesse a pena, nem tinha interesse em coisas que antes o divertiam e… ele não gostava de sorvetes! Fiquei tão intrigado que resolvi explorar como que das milhares de alternativas de sorvetes ele não gostava de nenhuma.
 
Na verdade, na adolescência buscamos consolidar nossa identidade e nossos gostos. Alguns exploramos mais o mundo, e outros menos. Queremos saber quem somos e nosso papel social. Questões surgem desde identidade de gênero e orientação sexual ou identidade religiosa, política e profissional à ideia de como canalizar energia ao serviço da humanidade!
 
Mas muitos jovens não têm tido tempo de parar para pensar nisso! São escolas com excesso de demandas, são atividades extra-curriculares, são celulares conectados 24 horas. Como diria o poeta “o tempo não para!”. E, com isso, pais me contactam falando de mudança de comportamento dos filhos. Outros comentam que o filho está na fase da frescura, um aborrecente, que não sabe enfrentar seus medos… A lista é longa.
 
No caso, o jovem que recebi tinha uma indicação de possível depressão. Depressão é caracterizada por uns como a ausência de uma conexão com a vida, e por outros como um excesso de emoções nos controlando. Seja o que for, ela é visível e precisamos diagnosticar e cuidar daqueles que a têm. Os sintomas podem incluir:
diminuição de interesse ou prazer em (quase) tudo, na maioria dos dias, quase todos os dias;
perda ou ganho significativos de peso (sem dieta!), diminuição ou aumento de apetite todos os dias;
lentidão de pensamento ou redução de movimentos físicos (visivelmente observáveis e não via uma leitura subjetiva);
fadiga ou perda de energia quase todos os dias;
sentimentos de “eu não valho nada”, “a vida não vale a pena” ou culpa excessiva quase todos os dias;
habilidade diminuída de pensar ou concentrar e até indecisão, quase todos os dias;
pensamentos sobre morte ou morrer.
 
Meu paciente tinha alguns dos elementos acima. Nada significativo, mas valia a pena investigar. Foi quando descobri a história do sorvete. Na verdade, me dizia ele, ia para sorveterias com amigos, e comia um sabor, mas nem gostava daquele sabor. Por quê então? Já estava acostumado! E se fosse arriscar outros sabores poderia se arrepender.
 
Alguns de nós conhecemos a dor e convidamo-la a entrar na zona de conforto. Vivemos com ela, curtimos ela e, sem percebermos, ela se torna parte do nosso ser. A verdade é que precisamos estar atentos a sinais que demonstram que há algo errado.
 
Não é preciso ser um gênio da psicologia para entender que há algo errado quando alguém diz “vou a sorveteria comer um sabor que não gosto”. Há algo errado quando deixamos de apreciar os vários sabores da vida!
 
Por isso é fundamental descobrirmos o sentido de nossas vidas, a paixão que faz nossos corações arderem de vontade de sair da cama, o sabor que faz nossos lábios quererem mais. Convidei meu paciente a experimentar um sabor novo de sorvete todos os dias. Foi a primeira vez que o vi rir porque, segundo ele, iria explodir de comer sorvete. Por algum tempo comeu sorvetes diferentes, apreciou opções diversas e continuou não gostando de sorvete.
 
Mas, a verdade é: no processo de experimentar novos sabores de sorvete, percebeu que a vida também tem os seus sabores e dissabores. Gostamos mais de uns do que outros e não precisamos repetir propositalmente aqueles que não gostamos. Alguns optamos por mais doces, amargos, salgados e até azedos. Precisamos combinar todos os sabores da vida para uma vida plena. Precisamos lidar com os sabores que não gostamos. Mas, sobretudo, precisamos ajudar às pessoas que nutrem nessa vida conosco a descobrirem quais são os sabores que valem a pena.
 
Sam Cyrous é psicólogo (09/8178), Psicoterapeuta de Casais e Família, StoryTeller e Curador do TEDxGoiânia.
 
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por Sam Cyrous
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