Goiânia – A seleção brasileira feminina de futebol saiu derrotada na Copa do Mundo para as anfitriãs francesas. Mas até que ponto podemos encarar essa eliminação nas oitavas de final como uma derrota?
Até 1979 as mulheres estavam proibidas de praticar qualquer esporte que fosse contra a sua natureza, através do Decreto-Lei 3.199 de 1941, assinado durante o governo de Getúlio Vargas.
Desde então, o futebol feminino vem crescendo, mas com poucos investimentos feitos pela Confederação Brasileira de Futebol. A primeira edição do Campeonato Brasileiro Feminino aconteceu somente em 2013, contando com 20 equipes.
O ano de 2019 pode ser um marco para o esporte em nosso país. Os jogos da seleção foram transmitidos em TV aberta, pela Globo e pela Band. Nunca se falou tanto em futebol feminino como agora. No Brasil e no mundo.
Nos Estados Unidos, o futebol feminino é mais desenvolvido e popular do que o futebol masculino. As americanas iniciam os treinos durante a infância, por volta dos 9 anos de idade. Vale destacar, ainda, que a estrutura e suporte oferecido às equipes da NWSL são excelentes.
Na Europa, o futebol feminino vem se fortalecendo e ganhando destaque em diferentes países. Os jogos de futebol feminino têm sido um grande atrativo, obtido recordes de público. A título de exemplo, o jogo Juventus x Fiorentina, em março deste ano, alcançou público de 39 mil pessoas.
Mas o maior público foi registrado na Espanha, no jogo entre o Atlético de Madri x Barcelona, no estádio Wanda Metropolitanos (com capacidade para 67.829 pessoas), que reuniu 60.739 pessoas.
Na Copa do Mundo, perdemos para a França, que tem o time mais badalado da atualidade – o Lyon -, além da importante liga OL Academy, grande referência do futebol feminino na França e atual campeão da Champions League feminina. O clube se tornou uma potência na última década, conquistando 6 títulos da Champions League Feminina. O último triunfo veio em maio desse ano, contra o Barcelona.
O que vimos é que as grandes seleções do momento estão acima do Brasil porque investiram na categoria de base e no fortalecimento de suas ligas (campeonatos nacionais), e que a nossa seleção feminina, apesar de ter craques naturais, tais como Marta, Cristiane e Formiga, não tem uma base formada e padronizada.
O momento, então, é de olhar para dentro. A Confederação Brasileira tem a oportunidade de modificar essa realidade. É difícil? Com certeza, mas o momento é agora e não podemos contar mais com os “raios” de nossas craques, pois já resta comprovado, tanto no futebol masculino como no feminino, que se ganha Copa com grandes equipes e não somente com um atleta.

*Beline Nogueira Barros é advogado e procurador do Tribunal de Justiça Desportivo Universitário de Goiás; Coordenador do Curso de Direito Desportivo do Instituto de Direito Contemporâneo (IDC); Coordenador do Instituto Brasileiro de Direito Desportivo (IBDD) em Goiás.