Uma multidão de 18 mil pessoas, segundo informações da Polícia Militar, brigava por um lugar na sombra às margens da avenida Tocantins, no Centro de Goiânia, para assistir ao desfile em comemoração ao Dia da Independência. O sol escaldante deste 7 de setembro queimava a pele de quem compareceu à festa pública e não encontrou árvores suficientes na rua para se esconder dos fortes raios solares.
Exército, Polícia Militar, Bombeiros, Agentes Municipais de Trânsito, escolas estaduais, Polícia Rodoviária Federal e outras entidades marcharam Centro abaixo, ao som das bandas militares e das irritantes sirenes dos carros especiais. Gritos de guerra também incrementavam a trilha sonora do ambiente.
É interessante reparar as vestimentas oficiais, os diferentes veículos utilizados em serviço (como lanchas, ônibus, guinchos, Fuscas antigos e outras curiosidades), além do patriotismo das equipes, raras nos dias normais. Como já é de praxe, a Rotam mostrou suas artimanhas de intimidação. Acelerando o carro e fazendo manobras arriscadas no percurso, os policiais encaravam a multidão com cara de poucos amigos, empunhando suas armas com veemência. A apresentação do grupo especial agradou parte das pessoas ali presentes.
Os maiores aplausos, entretanto, foram para os Bombeiros, que exibiram várias roupas e veículos, cada um para situações diferentes de resgate. Mergulhadores, brigada de incêndio, salvadores de acidentes de trânsito e outras funções executadas por estes herois, que gritavam "há muitas vidas que valem a pena morrer por elas".
Quem também fez a festa foram os vendedores ambulantes, que aproveitaram o momento para comercializar balões de gás hélio, cataventos, algodão-doce e outras bugigangas. Enquanto isso, em Brasília, além dos tanques de guerra e da cavalaria oficial, a Esquadrilha da Fumaça se aventurava em manobras impressionantes no céu do Planalto Central. O desfile no Distrito Federal pode ter sido bem mais incrementado, mas o calor de lá era o mesmo que derretia os goianos por aqui. Todos sob o mesmo sol. Isso sim é um País unido.
Comemoração
Sete de Setembro é um dos feriados mais importantes do País, Dia da Independência brasileira. Protagonizado por D. Pedro I, em 1822, às margens do Rio Ipiranga, o evento foi o grande marco para que a colônia portuguesa deixasse de ser submetida à coroa de D. João VI. Montado num alazão, o futuro rei do Brasil levantou sua espada, gritou "Independência ou morte" e livrou o povo da mandança europeia. Bonito, não? Seria, se fosse de todo verdade. Uma das versões, por exemplo, bastante conhecida, é a de que D. Pedro já estava cansado das pressões do pai para voltar para a Metrópole e, durante uma viagem de mula pelo interior de São Paulo, declarou a independência pagando uma multa altíssima para Portugal.
O que importa, na verdade, é que hoje somos uma nação independente, e não foi muito fácil conquistar essa liberdade. Apesar de o grito ter sido dado ainda no início do século XIX, só em 1949 os desfiles da data começaram a ser realizados. Na época, o presidente do Brasil era Eurico Gaspar Dutra, que governou entre 1946 a 1951. Ele, um marechal e antigo ministro da Guerra de Getúlio Vargas, achou por bem que as forças armadas desfilassem para o chefe de governo na data. Até hoje é assim.