Raphaela Ferro
Goiânia –
A partida contra o Iporá, neste sábado (13/3), pela 4ª rodada do Goianão 2021, foi realizada no Estádio Olímpico. Foi a primeira do Vila Nova este ano como mandante fora do Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA). O motivo: promover melhorias no gramado da casa colorada. Mas a diretoria reforça que não se trata de uma intervenção pontual. As ações voltadas para o patrimônio são apresentadas pelos dirigentes da atual gestão, iniciada em 2020, como prioridade.
Segundo o atual presidente do Conselho Deliberativo do clube, Décio Caetano, inclusive, os resultados em campo, como o acesso à Série B nacional, o título da Série C do Brasileirão 2020 e bom desempenho no Campeonato Brasileiro de Aspirantes (sub-23), têm a ver com isso. “É um reflexo do que está sendo feito na parte administrativa e patrimonial, que dá toda a base para o time de futebol e para os jogadores exercerem sua função”, afirma.
Vila Nova foi tricampeão da Série C (Foto: Douglas Monteiro)
Membro do conselho de administração de patrimônio do clube, Leonardo Rizzo avalia que 2020, o primeiro ano da gestão atual, foi de crescimento. “O Vila cresceu muito em todos os aspectos. Todos contribuíram. E eu diria, inclusive, que o patrimônio cresceu até mais que o futebol. Até o final do ano teremos prontas as reformas tanto do Centro de Treinamento quanto do OBA.” Ele ressalta que, para que isso acontecesse, foi imprescindível a união dos dirigentes do clube.
Décio concorda ao falar em harmonia interna, mesmo o time tendo passado recentemente por troca de treinador – Márcio Fernandes foi demitido para a contratação de Wagner Lopes, que estreou neste sábado (13/3) com vitória por 5 a 0. O conselheiro explica que há divergências, mas não conflito na administração atual, iniciada em dezembro de 2019 – Hugo Jorge Bravo foi eleito presidente do clube e Décio, do Conselho. “Todos estão abraçados com o clube. Estão com o mesmo propósito, mesmo objetivo e empenhados”, afirma, reforçando que há uma equipe grande trabalhando junto.
Passo a passo
O primeiro passo dessa equipe, segundo Décio, foi avaliar a situação financeira, que estava crítica, e fazer o planejamento para o ano de 2020, com base em buscar o acesso à Série B em campo e, fora dele, reformular a parte administrativa e patrimonial do clube. “O planejamento foi feito baseado no recurso financeiro dos patrocínios e da renda dos estádios. Mas em março veio a pandemia e foi por água abaixo”, lembra. Sem receita de público nos jogos e com a saída de alguns patrocinadores, restou ao grupo contar com doações.
Décio conta que foi um trabalho grande da diretoria de patrimônio, gerenciada por Leonardo Rizzo. A partir dela, foi feita reforma no Estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA), para que o Vila pudesse fazer seus jogos por lá e não pagar aluguel do Estádio Olímpico, por exemplo, e para que os alojamentos dos atletas fossem adequados para a concentração, que também deixou de ser custeada em hotéis. “Fizemos a pavimentação da parte do bosque, retomamos a obra da parte da frente, voltada para as escolinhas. Agora, estamos fazendo uma reforma ampla na parte administrativa”, informa o presidente do conselho.
Concentração dos atletas (Foto: Vila Nova F.C.)
Outra frente de trabalho, segundo Décio, são as obras no Centro de Treinamento. “Nós fizemos cerca de 20 mil metros de asfalto nas vias do CT. Reformamos três dos cinco campos e vamos reformar todos neste semestre. Já contratamos projeto para reforma de vestiários, sala de imprensa, refeitórios, boutique e bar. Agora, vamos começar um calçamento na parte externa.” O investimento total em patrimônio no primeiro ano de gestão, de acordo com o presidente do conselho, foi de R$ 2 milhões.
De acordo com Rizzo, a obra completa de reestruturação, que tem o intuito de implantar uma estrutura básica de centro de treinamento e possibilitar a separação entre as áreas das categorias profissional e de base, deve levar mais dois anos. “Queremos mostrar para o mundo que o clube existe, que tem um projeto e queremos fazer o Vila ser respeitado”, enfatiza.
Bar foi construído no OBA (Foto: Douglas Monteiro)
Finanças
Os valores necessários para as reformas, segundo Décio, foram doados pelos conselheiros e vieram também da contribuição dos torcedores. “O que a gente tem de mais valor é a nossa torcida. Nesse momento de pandemia, sem receita, o Vila sobreviveu basicamente de alguns patrocinadores, mas fundamentalmente com apoio da torcida. Lançamos mantos, camisas e a venda desses produtos foi o que permitiu que a folha fosse paga em dia. Não devemos salários. Isso porque a torcida abraçou, o conselho abraçou.”
Rizzo afirma que se surpreendeu com a quantidade de pessoas que entraram em contato oferecendo ajuda financeira ao clube para a realização das obras. “Foi tudo feito nesse espírito de doação. As pessoas entenderam que o Vila é o clube do povo”, considera. A forma encontrada, segundo ele, para receber as doações e dar transparência à entrada e saída de valores, foi a reativação da Caixa de Aplicação Desportiva (CAD).
Por outro lado, Décio também enaltece as ações do departamento jurídico, que, de acordo com ele, conseguiu redução substancial das dívidas trabalhistas. “É algo que está sendo importante, porque precisamos sanear financeiramente o Vila para que possa ser uma instituição respeitada”, afirma. Ele também aposta que a boa campanha no Campeonato de Aspirantes, em que atuaram jogadores do sub-23, trará lucro a partir da negociação de jogadores revelados na competição.