Os livros fazem parte da minha memória mais remota. Bonequinhos de soldados e índios, bola de futebol, gibis e livros. Tudo junto, no mesmo balaio onde minhas bagunças de criança eram guardadas. Meu pai é escritor e ter livros ao meu redor era tão natural quanto a mamadeira na hora em que eu acordava. Carreguei esse hábito comigo. Tanto que tenho uma mudança iminente para fazer e já estou atordoado com a quantidade de livros que terei que carregar para minha nova casa. É uma canseira…
Comprei recentemente um tablet e estou me acostumando com o uso. Não nego a resistência que tive com o equipamento. Não via muita utilidade na parada. Quando estive na casa dos meus amigos Andrea Régis e Gustavo Moura, percebi que a facilidade de navegação na internet era realmente imbatível. E vi que era agradável a leitura e a portabilidade que o equipamento oferecia. Fiquei convencido que de, sim, o tablet cumpria funções que eram um vácuo entre o smartphone e o notebook. Mas ainda não tinha achado que valia mesmo gastar aquela grana no aparelhinho.
Passado um tempo, comecei a ler uma série de quadrinhos que teve alguns números lançados no Brasil e outros não. Comprei o que consegui no Estante Virtual, mas não conseguia terminar de ler a história. Vi que um blog disponibilizou tudo para download. Mas, na boa, ler gibi no computador é mais sem graça que cerveja sem álcool… Aí veio à cabeça que um tablet poderia ser uma boa alternativa para isso. Depois de alguns meses, comprei o meu.
Como todo novo brinquedo que a gente arranja, sempre tem uma manha que não pegamos de imediato. Mas nada que um Google não salve. E está bem divertido ler no aparelhinho. E dá-lhe gibi não publicado no Brasil! E dá-lhe livro que é um calhamaço e aquela canseira para carregar! E dá-lhe jornal que libera versão na íntegra! O duro é arrumar tempo para tanto conteúdo. E é preciso abrir um parêntesis aqui. Parabéns ao jornal A Redação pelo belo aplicativo! Super funcional, prático e moderno. Só comprova sua vocação de vanguarda. Fecha parêntesis.
A grande vantagem é na hora da leitura noturna, aquela feita na cama, antes de dormir. Com o regulador na emissão de luz, dá para deixar agradável ao olhar e apagar a lâmpada para que a esposa possa dormir tranquilamente. Também facilita na hora da insônia. Não preciso mais acordar a família inteira por que não consegui dormir. Posso ler enquanto o sono não volta sem estorvar ninguém.
Não abandonarei a aquisição de livros, revistas e gibis. Sou de uma geração de transição, que sabe conviver com o analógico e o digital. Mas entendo perfeitamente se a galera nova optar por ler somente nos tablets. É justificável. Assim como entendo quem abdicou do vinil pelo MP3. É mais prático, certo, mas não tem astral. E, cá entre nós, o mundo seria chato sem o astral certo, não é?