Aline Mil
Interência. Para Antônio Guerreiro, diretor geral do portal R7, da Tv Record , o neologismo é o termo chave que leva a audiência dos portais de notícias para o patamar da interatividade. Com 22 anos de carreira, o jornalista e professor é hoje um dos principais nomes do país quando o assunto é comunicação na web.
Em Goiânia para uma palestra no Intermídias, congresso e feira de comunicação realizado pela Contato Comunicação em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), Guerreiro conversou com uma plateia recheada de estudantes de comunicação na última quinta-feira (25/8). Percebendo seu público, o especialista deixou de lado os slides que havia formulado para focar, de forma descontraída, no perfil do comunicador procurado hoje pelas empresas de comunicação online e como esses profissionais devem se portar perante a nova geração de internautas.
Conteúdo
De acordo com o especialista, na Internet não se deve trabalhar com o conceito de audiência exatamente pela pluralidade do canal. “Interência é a união de audiência com interatividade. Na Record, a nossa grande sacada foi entender que não fazíamos tv ou internet mas, sim, conteúdo," pontuou, exaltando o poder das intermídias.
Segundo Guerreiro, os executivos de grupos de comunicação procuram profissionais que, além de escrever bem, utlizem a linguagem certa para que o internauta se identifique com a notícia. No R7, a ordem não é redigir, mas sim escrever como se o interlocutor estivesse ali, ao lado do jornalista. Para ele, o que faz um portal de notícias ser mais interessante que o outro são os recursos linguísticos utilizados. “A gente não chega em casa e fala que adquiriu uma roupa. Nós compramos. Na internet é importante se aproximar do internauta”, alerta o diretor. Para o jornalista, mais importante que a notícia em si é a tradução da notícia para que a pessoa possa encaixar .
Assoviar e chupar cana
O diretor acrescentou ainda que os comunicadores esperados nesse mercado precisam saber opinar sobre os mais diversos temas, trabalhar em grupo e também se portar em frente e atrás de uma câmera. “Sim, é preciso saber assoviar e chupar cana ao mesmo tempo”, brinca o diretor. Para o jornalista, o mercado da comunicação na web busca o profissional que, a cada dia, se desafia. “Não adianta ficar acomodado, por melhor que seja o seu currículo. Queremos aquele que é mais bem informado culturalmente”, destaca Guerreiro.
Ao fim da palestra, o diretor deu ainda uma dica final aos vários estudantes: “Não desperdicem sua capacidade de interência. Produzam conteúdo próprio, subvertam a ordem,” incentivou.
Estrutura
O R7 conta hoje com 510 funcionários. Desses, 300 são jornalistas, 140 são profissionais de tecnologia e o restante se divide entre os departamentos artístico e comercial, um dos mais importantes para o sucesso da empresa. “Hoje temos 27 publicitários voltados exclusivamente para o desenvolvimento de projetos na web, uma área que, a cada dia, cresce mais”, afirma.
Guerreiro acredita que a interência gera novas oportunidades e formatos de negócio e anúncio. Como exemplo de uma ideia simples que pode render um bom lucro para a empresa, Guerreiro cita a customização da interface de um player de vídeos. “Ao comprar os direitos para a transmissão de um campeonato, podemos colocar no player o layout de uma tv LCD de uma marca 'x' e, com isso, faturar."
De janeiro a julho de 2011, o portal cresceu 51.12%. Em apenas um ano e 11 meses, o R7 produz uma média de 1000 notícias diárias, 35 milhões de visitantes únicos e 700 milhões de páginas vistas por mês. Tudo isso com foco em produção de conteúdo em tempo real.
Dicas de livros
Para quem quiser se aprofundar nos novos rumos da comunicação na internet, Antônio Guerreiro dá a dica de três bons livros que, segundo ele, são leitura obrigatória para sobreviver na selva virtual. Duas das obras são do polêmico autor norte-americano Chris Anderson, editor chefe da revista Wired, uma das publicações periódicas mais lidas pelos plugados. O primeiro é intitulado The Long Tail (A cauda longa) e trata do poder dos nichos diante das grandes indústrias, prometendo o fim da era dos blockbusters.
Já o segundo livro de Anderson é Free (Grátis). Quando foi lançada, a publicação foi disponibilizada para download na internet durante cinco semanas e, segundo o autor, mais de 170 mil leitores tiveram acesso às teorias. Em Free, o jornalista afirma que conteúdos disponibilizados gratuitamente podem ter até mais valor do que os pagos. A terceira obra indicada pelo diretor do R7 é O Mundo é Plano – Uma História Breve do Século XXI, do jornalista Thomas Friedman. Nele, o counista do NY Times mostra que, se estivermos conectados, não há fronteiras de acesso à informação.