Brasília
Goiânia –
O senador Luiz do Carmo (MDB-GO) participou nesta terça-feira (26/2) da sabatina do presidente e diretores indicados ao Banco Central. Na oportunidade, ao lado do senador Coronel Ângelo (PSD-BA), questionou a mesa em relação ao sistema de votação adotado na comissão, que optou por abrir votação antes de todos os senadores terem seus momentos de fala.
“Não fui ouvido, não tive as respostas dos meus questionamentos, não formei minha opinião. Como posso votar se não estou convencido ainda? ” argumentou o senador.
De acordo com ele, uma comissão destinada a aprovar a diretoria de um órgão tão importante como o Banco Central não pode ser definida de qualquer jeito. “A sabatina funciona justamente porque no decorrer da apresentação e na resposta das perguntas, os senadores podem formar suas opiniões. E se algum colega, que está no fim da ordem de fala, tiver alguma revelação que questiona a integridade do indicado? O que eu vejo que acontece é que os senadores não estão dando valor para esse procedimento previsto por lei. Chegam aqui com a opinião formada e só querem cumprir da forma mais rápida possível o que o regimento manda. É preciso levar um pouco mais a sério as ferramentas democráticas”.
O senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da casa, chegou a ironizar a preocupação do senador a respeito da oportunidade de fala dos senadores. “Estou aqui a quatro anos e sempre foi assim” disse.
Ao ouvir a resposta do presidente da mesa ao questionamento do senador Luiz do Carmo, Ângelo, que concordou com o posicionamento do goiano, também criticou o posicionamento do presidente. “A partir do momento que se vota sem uma discussão, sem um debate, a validade dessa votação fica questionável. Sou senador de primeiro mandato, mas se sabatina for assim acho que deveria mudar o nome para Sessão de Apresentação, seria mais prático”.
Sabatina
A sabatina do economista Roberto de Oliveira Campos Neto, indicado pela presidência para o cargo de presidente do Banco Central, ocorreu nesta terça-feira (26) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Em suas falas, Campos disse que trabalhará para estabilizar o poder de compra e defendeu muito a autonomia do BC.
“O objetivo de dar autonomia para o Banco Central é aprimorar o arranjo institucional de política monetária para que ela dependa menos de pessoas e mais de regras, e para que estejamos alinhados à moderna literatura sobre o tema e aos melhores pares internacionais.
O economista lembrou os senadores da existência de projetos sobre a autonomia já no Congresso Nacional. “Acredito que o país esteja maduro para mais esse avanço. A mudança, se aprovada por esse parlamento, trata ganhos para a credibilidade da instituição e para a potência da política monetária, reduzindo o tradeoff [conflito na escolha de uma opção em detrimento de outra] de curto prazo entre inflação e atividade econômica e contribuindo para a queda das taxas de juros e o crescimento econômico”.