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Educação é o norte, cultura é o horizonte

29.04.2015 - 13:57:47
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Goiânia – Muita gente não entende direito o papel de levar os filhos para atividades culturais. Eles têm a compreensão de que aquela atividade serve de entretenimento, uma forma de passar o tempo com a garotada. É evidente que uma ação cultural tem sim esse nobre fim. Uma peça de teatro, um gibi, um livro, um filme, a audição de um disco… Enfim, não consigo pensar em uma forma mais divertida e prazerosa de passar o tempo do que envolvido com uma dessas coisas. Mas limitar a percepção acerca da atividade cultural ao entretenimento é pouco, não condiz com o que de fato acontece na cabeça de quem está em contato com a obra.

Faço a seguinte analogia: a educação formal é a estrada pavimentada rumo ao futuro. Sem a arte, essa estrada é dentro de um túnel. Em contato com a arte, a pessoa viaja observando o vasto horizonte ao seu redor.

Uso o meu exemplo pessoal. Na minha casa, meus pais tiveram a virtude de estimular para que estivéssemos sempre próximos ao universo artístico. Isso me ajudou incrivelmente nas atividades escolares.

Aprendi muito de personagens relevantes da história com a música Nome aos bois dos Titãs. Aprendi muito de geografia com as aventuras do Tio Patinhas em seu gibi. Aprendi muito de português e literatura com os livros da coleção Vaga-Lume. Aprendi muito sobre a França com a música Eu não matei Joana D'arc do Camisa de Vênus. Aprendi muito de inglês tentando cantar junto e traduzindo letras do Guns n' Roses. Aprendi muito sobre países exóticos com Indiana Jones e álbuns de figurinha da Copa do Mundo.

O mundo perfeito é quando, além do ambiente familiar, a escola também estimule esse contato mais íntimo com as artes. Se a criança vive esse universo em casa e a instituição formal de ensino alarga esse contato, as possibilidades de aprendizado, de acúmulo de experiências, de desenvolvimento de sensibilidades se potencializa ao máximo.

Temos a preocupação de verificar se as escolas que minhas filhas frequentam têm a cultura como algo a ser trabalhado. Fico feliz quando a escolinha da minha mais nova leva a turma ao teatro – mas fico triste quando converso com a professora e vejo que só seis pais pagaram o ingresso para que os filhos participassem da atividade. Fico feliz quando a escola da minha mais velha organiza um concurso de histórias em quadrinhos – fico triste quando vejo a baixa adesão de alunos na atividade. Fico feliz quando a escola de inglês da primogênita promove shows de artistas de porte nacional em seu auditório – fico triste quando percebo que pouquíssimos alunos foram ao show.

Mesmo que com baixa adesão, me orgulho dessas escolas e quero que elas continuem trabalhando nesse sentido. Tenho certeza que não perdem nada. Pelo contrário, ganham nosso respeito e admiração. E, é claro, ganham muito mais nossos filhos.

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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