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Em quem votar?

17.09.2012 - 20:43:20
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São Paulo – Fico admirado com a forma como a Fifa, o Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014 e a Adidas têm tomado suas decisões de marketing. Não vou comentar questões administrativas e de infraestrutura como a divulgação de informações sobre o andamento das obras, até porque não tenho nenhuma experiência sobre este assunto. Mas quando vemos a escolha de nomes para a bola e mascote da Copa, me impressiona a falta de sensibilidade e compreensão das expectativas locais.
 
Em primeiro lugar, a bola: Brazuca. Ok, muito de nós utilizamos o termo para nos referir a produtos nacionais, mas convenhamos que foi de uma criatividade próxima de ZERO. Não me lembro do significado de Jabulani, e essa é uma grande prova de que os povos do mundo não se preocupam muito com o sentido da palavra, mas muito mais com a sua sonoridade ou “sentimento” que o fonema possa trazer. Sinceramente, também achei Jabulani horrível.
 
Segundo um comunicado emitido pela Fifa “Brazuca é um termo informal, utilizado pelos brasileiros para descrever o orgulho nacional pelo estilo de vida do país. Simboliza emoção, orgulho e boa vontade com todos, de forma semelhante à abordagem local ao futebol.” Um statement um tanto duvidoso.
 
A Adidas encomendou um extenso estudo junto a Talk Inc., empresa especializada em pesquisa digital, para saber qual mensagem deveria transmitir com o nome da nova bola. O processo semelhante a um crowdsourcing de tamanho restrito utilizou 20 formadores de opinião com grande influencia nas redes digitais. A Talk Inc. acompanhou as discussões que aconteceram nos perfis selecionados e tentaram encontrar ali os subsídios para determinar quais seriam os critérios de seleção para o nome da bola.
 
Bisbilhotando essas conversas, a empresa definiu quatro temas que deveriam estar presentes no nome da nova bola: futebol, raízes, personificação e imaginário do Brasil. A partir daí surgiram três opções de nome: Bossa Nova, Caranavalesca e, a vencedora, Brazuca. Agora alguém me explica como é que Brazuca traz consigo estas temáticas todas? Pois é. Não traz.
 
O mesmo eu me pergunto sobre as opções de nome para o mascote da Copa. Aliás, mascote este que me pareceu de um bom senso tremendo – fugimos do lugar comum das araras e macacos, buscando um bichinho simpático como o querido tatu. Estamos longe de ser casca-dura como o tatuzinho (sem nenhuma ligação com a aguardente), mas temos mesmo essa resistência como característica. Ou como diriam Kleyton e Kledyr “viva a maravilha que somos eu e tu, e viva o rabo do tatu”.
 
Mas enfim, as opções para batizar o nosso tatuzinho são: Fuleco (junção de futebol e ecologia), Amijubi (que mistura amizade e júbilo) e Zuzeco (união de azul e ecologia). Fizeram com o tatuzinho, que contrariando o que todos divulgam, pelo menos pela sua imagem não é um tatu-bola, o mesmo que alguns pais fazem na hora de dar nome aos seus rebentos. A diferença é que mãe e pai têm seus motivos afetivos e emocionais para querer homenagear avô e avó, tios e parentes de toda sorte.
 
No caso da Fifa e da organização da Copa estamos falando de marketing, de comunicar algo de fato e, mais importante ainda, fazer com que essa comunicação seja compreensível pelo seu público.
 
Sinceramente, Fuleco, Amijubi e Zuzeco não me dizem nada. Duvido que signifiquem algo para qualquer brasileiro. Preferiria um daqueles apelidos que muitos ganham em suas peladas de final de semana, sinceros, sem premeditação, sem reuniões de brainstorm, mas que tocam de forma mais verdadeira com todo o humor característico dos brasileiros.
 
Sei que temos o aspecto internacional da pronúncia por outros povos, mas imagino quantos, ao chegar aqui no Brasil, irão perguntar ao taxista o que significa Amijubi e ouvirão um sonoro “Não Sei” como resposta. Ou qualquer outro brasileiro que tentará traduzir jubilo (alguém aí já incluiu Jubilo no seu vocabulário nos últimos 20 anos?) misturado à amizade.
 
Não vou votar em ninguém. Escolher o nome do mascote da Copa está pior do que escolher candidato nas eleições municipais de São Paulo.
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por Gavroche Fukuma

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