No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Entre os fatores de risco estão a idade, histórico na família, sobrepeso e obesidade (veja tabela abaixo). Também de acordo com o Inca, que trabalha com dados consolidados, a estimativa da neoplasia para o País, ano de 2020, era de mais de 65 mil novos casos.O mês de novembro é destinado à conscientização sobre esse tipo de tumor maligno pelo menos desde 2003. A campanha começou na Austrália e, em 2011, passou a fazer parte da mobilização nacional, com apoio de entidades como a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) e o próprio Ministério da Saúde (MS). E exatamente hoje, 17 de novembro, é celebrado o Dia Mundial do Combate ao Câncer de Próstata.
Chefe do Serviço de Urulogia do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Goiás (UFG), Márcio Rodrigues Costa destaca que estudos científicos têm consolidado, cada vez mais, a relação entre o câncer de próstata e os maus hábitos alimentares. “Homens que comem muita gordura, carne e derivados da carne têm mais chance de desenvolver a doença”, informa.


O número de consultas urológicas no Sistema Único de Saúde (SUS) também caiu, 33,5%. A coleta de PSA (o Antígeno Prostático Específico, da sigla em inglês de Prostate-Specific Antigens) de biópsia da próstata, que, junto com o exame de toque retal, diagnosticam a doença, teve queda na ordem de 27%2 e 21%2, respectivamente. Já as internações de pacientes com o diagnóstico recuaram 15,7%. As informações são do MS e foram obtidas pela SBU.”Infelizmente, em razão da pandemia, a previsão agora é que recebamos diagnósticos mais tardios e com quadros graves”, aponta o urologista Márcio Rodrigues.
O Inca divulgou, este ano, um informativo que relaciona o câncer de próstata a algumas ocupações e atividades econômicas. Na lista aparecem as indústrias de eletrônicos e PVC, aplicadores de agrotóxicos e bombeiros. O estudo também elencou os principais cancerígenos no trabalho: arsênio, malation (agrotóxico inseticida), cádmio, radiação ionizante (x e gama), elemento radioativo (tório 232) e trabalho noturno.Mortalidade
Em Goiás, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES), o número de óbitos por câncer de próstata foi de 5.070 nos últimos dez anos. Desse total, 4.840, o que representa 95%, são de homens a partir de 60 anos.O Atlas de Mortalidade por Câncer, do Inca, traz como mais recente o número de 15.983 óbitos, em todo o Brasil, em função da neoplasia localizada na próstata.
De acordo com Márcio Rodrigues, a partir dos 45 anos o homem que tem na família casos de parentes de 1o grau com câncer de próstata deve procurar o urologista, para uma avaliação inicial. Para os demais, essa faixa etária é ampliada para os 50 anos.Depois da primeira avaliação, os exames (de toque e de sangue) devem ser repetidos anualmente. Como é praticamente assintomático, algumas mudanças na saúde devem ser observadas, como orienta o Ministério da Saúde.

A escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após médico e paciente discutirem os riscos e benefícios de cada um.
A próstata é uma glândula que só o homem possui e que se localiza na parte baixa do abdômen. Ela é um órgão pequeno, tem a forma de maçã, se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino grosso), e produz parte do sêmen, líquido espesso que contém os espermatozoides, liberado durante o ato sexual.