Impossível não bater palmas para Emerson. No último domingo, quando postou uma foto no seu Instagram, o atacante mexeu com os preconceitos mais arraigados na alma do dito “machão” brasileiro. O selinho que ele deu em um amigo de longa data foi tão provocante quando suas arrancadas certeiras que aterrorizam os goleiros adversários. Um gol de placa do Sheik!
Só um jogador muito seguro de seu talento e sexualmente bem resolvido encara uma bronca como essa que Emerson topou. Seu currículo é farto em títulos. A marca mais impressionante do cara é o tricampeonato brasileiro, consecutivo e por times diferentes: Flamengo (2009), Fluminense (2010) e Corinthians (2011). Não há time no Brasil que não o queira como atacante. E agora ele ainda ganhou status de demolidor de preconceitos. Um atleta que honra a tradição de vanguarda comportamental do alvinegro paulistano. Ave, Democracia Corintiana!
É claro que tal ato não passaria batido pelo reacionarismo babaca. Nada mais patético do que a reação de parte minoritária daquela que é a segunda mais popular torcida do Brasil. Coisa tacanha, de quem tem visão de mundo atrasada. Sheik mostrou aos poucos estúpidos que está muito além dessa concepção pequena do que seria o “macho” envolvido com futebol. Deu uma aula. Já disse e repito: palmas para Emerson.
Futebol não é um mundo separado do que vivemos. Tal qual existem gays em todos ambientes que frequentamos, eles também estão no mundo da pelota. Na mesma proporção. O problema é que o universo esportivo do futebol é mais permeado pelo preconceito. Mas acho que estamos perto do dia em que haverá espaço para que jogadores brasileiros homossexuais se sintam confortáveis para sair do armário. Sem dúvida, a civilização está próxima. O império da lei há de chegar ao coração do futebol.
Pelo que acompanhei por meio da imprensa, os colegas de Emerson encararam a foto como uma zoeira do atacante. Devem conhecer o espírito do atleta e sabem do que ele é capaz para conseguir uma boa trollada. Se o intuito foi fazer piada com a geral, conseguiu. Em especial com os sectários homofóbicos que movimentaram um miniprotesto sem cabimento. Se foi levantar a bandeira contra o preconceito no futebol, também alcançou êxito.
Independente da motivação, o jogador marcou um golaço. O placar do jogo é Emerson 5 x 0 Preconceito.