A importância de ter alguém na nossa sociedade pode ser medida pela quantidade de posts relacionados ao dia dos namorados. Quem é casado ou tem namorado, fala o quanto é lindo o amor, se derrete em mensagens carinhosas, ganha e dá presente, comemora com jantar a luz de velas e, se tudo der realmente certo, termina a noite na cama – de preferência bem acordados.
Quem lê os posts apaixonados, pode ter a impressão de que todas as relações são perfeitas. É tanto amor e chamego, que é possível acreditar em conto de fadas, princesas e príncipes encantados. Mas também não teria graça comemorar o dia dos namorados apontando todos os defeitos do outro, né? É preciso dar um desconto, afinal a data pede corações e paixão.
Já os solteiros aproveitam o dia 12 de junho para alardear aos quatro ventos como é maravilhosa a própria companhia, que antes só do que mal acompanhado e me desculpe Jobim: é possível ser feliz sozinho.
Solteiro ou casado, o tema relacionamento realmente desperta paixões. O fato de ser casado ou ter namorado não representa o fim dos problemas, aliás nada exige mais responsabilidade, paciência, tolerância e, claro, amor do que estar a dois. Por outro lado, viver um relacionamento significa muitos ganhos: ter um (a) companheiro (a) para a vida, fazer planos, ter filhos (ou não), viajar, sair pra jantar, ir ao cinema, chorar no ombro, dar risada, se amar e até se odiar. Sem garantias de eternidade. No amor não há garantias.
O solteiro também pode alardear para deus e todo mundo como é boa a vida de solteiro, mas salvo pouquíssimas exceções, não conheço ninguém que queira passar a vida sem experimentar as dores e delícias de se viver um amor de verdade. No fundo, todos queremos ser especiais para alguém.
Pode ser que no ano que vem – ou daqui a muitos anos- o casado de hoje se veja solteiro novamente. E o celibatário convicto – esse mesmo que ama a própria companhia acima de todas as coisas e acha o casamento o pior dos castigos – se apaixone perdidamente daqui a seis meses, coloque uma aliança na mão esquerda e prometa amor eterno a sua paixão.
Não há idade, hora nem lugar para se apaixonar e nosso coração tem um poder de regeneração surpreendente. Até os mais desiludidos são capazes de mandar tudo pros ares quando se apaixonam de verdade. Essa é a maravilha do amor. Mesmo sem nenhuma garantia de felicidade eterna, mesmo depois de machucados, sofridos e enganados, ainda assim a gente quer amar e ser amado.
E como diz meu marido: é a vitória da esperança sobre a experiência.