Recebi com um sorriso no rosto a notícia de que o ator Paulo César Pereio será candidato a vereador em São Paulo. Com 72 anos, o cara não deixou que a vontade de vestir o pijama e alimentar os pombos no banco da praça falassem mais alto e partiu para a luta. Se eu votasse em São Paulo, já teria candidato para vereador. Acho até que ele vai perder. Afinal, Pereio vereador é uma coisa boa demais para ser verdade. Mas só dele vir como candidato já é legal o suficiente para darmos uma refletida sobre o tema. Para saber mais do assunto, tem essa matéria aqui na Folha de São Paulo.
Quem cuidará de seu marketing de campanha é o cartunista Allan Sieber. Ele já bolou algumas pérolas que darão cara à campanha do ator. “Cu e voto não se pedem, se ganham”; “Pereio – vote no veio”; “O polvo no poder”. Só por essa criatividade, já valeria o voto. Tomara que mais gente pense como eu.
A política só vai deixar de ser um ambiente careta quando pessoas não caretas ganharem o espaço dos caretas. Simples. E o jeito de tomar o lugar dos ratos é se candidatando, indo para o front. Essa é a atitude mais punk que existe. Xingar muito no Twitter, dar indiretinhas no Instagram ou palestrar no Facebook é a atitude cômoda, bunda mole e contraproducente. Gente assim não transforma nada. O pau de verdade é quando a pessoa vai lá e dá a cara para valer. E em sua trajetória, Pereio nunca teve receio de se expor.
Varrer a poeira dos três poderes é dever de uma geração que não está satisfeita com o modus operandi da política tradicional. Tirar o mofo, abrir as janelas e arejar o ambiente tem que ser feito, nem que seja por um senhor de 72 anos de idade e que é mais jovem do que muito cara que ainda milita no movimento estudantil. Sempre achei que idade não se relaciona com o que está escrito em sua carteira de identidade e sim com o que você pensa. Sem dúvida alguma, Pereio é um adolescente disposto a incomodar e mexer na estrutura. A dar um chute na bunda da pasmaceira.
Se tivéssemos um Pereio em cada ambiente legislativo do Brasil, um em cada Tribunal de Justiça e um prefeito por Estado brasileiro, o estrago já estaria feito e seria irreversível. O status quo estaria seriamente ameaçado pelo pensamento libertário. E se essa história for realmente começar a se espalhar pelo País, o pontapé inicial será dado por São Paulo, capital econômica desse Brasilzão. Torço para que isso aconteça em 2012.