No último sábado (3/8), fui à Atlanta Music Hall assistir ao show do Nando Reis e Humberto Gessinger. Eu e minha mulher compramos o ingresso de R$ 100 por pessoa, por ter a possibilidade de ficar mais perto do palco. O nome desse espaço era pomposo: Extra Vip. Naturalmente, se tratava de uma hipérbole. Caso fosse batizado de “Vietnã”, “Meu reino por um copo de cerveja” ou “Salve-se quem puder!”, a alcunha seria mais precisa com o que presenciamos.
Era uma verdadeira guerra conseguir uma bebida no bar. De uma simples água ao prometido uísque, pouco importava: todos tinham que enfrentar um empurra-empurra que fazia confusão de estádio de futebol parecer disputa de criança no parquinho para brincar no balanço. Um martírio sem fim. Vários minutos passavam, várias músicas eram tocadas, vários xingamentos gritados até que você conseguisse colocar as mãos em algo para beber.
Sou meretriz de muitos anos de estrada nessa vida de shows. Eu sabia que isso aconteceria. Sempre prefiro comprar ingresso onde o bar é pago. Nessas circunstâncias, você compra a ficha do que quer beber e vai fundo. Não é preciso pagar esse custo embutido no ingresso. É mais justo com quem não bebe. O problema é que a Atlanta não trabalha dessa forma. Todos os setores da casa oferecem open bar, variando somente o padrão do cardápio e a localização. Resumindo: ou você encara a barca chamada open bar, ou não assiste ao show que deseja.
Confesso que nem sempre tive raiva do open bar. Na adolescência e início da vida adulta, preferiria mil vezes um esquema desses mesmo que tosco a ter que comprar fichas. Encarava a canseira só pela chance de beber muito. Eram outros tempos. Naqueles idos, eu priorizava o quantitativo perante o qualitativo. Não me importava com marcas. Afinal, era possível beber mais daquela forma com menor custo. Essa fase passou. A idade e uma maior folga orçamentária permitem hoje que eu me dê o luxo de escolher bem com o que quero me embriagar. Por isso, pago para não ter que brigar por uma bebida.
Sinto o mesmo quando vou a coquetéis. Quando era universitário, a palavra coquetel me atraía mais que qualquer outra constante no Aurélio. O Comando de Caça aos Coquetéis tinha um militante que levava a causa muito a sério. Novamente, essa prática faz parte do meu passado. Só de imaginar ter que ficar correndo atrás de garçom por conta de um copo me faz sentar no primeiro bar e pedir uma bebida. Pago para não ter dor de cabeça. A vida é curta demais para esperar a boa vontade de um trabalhador sobrecarregado encher seu copo. Quando temos alguns reais no bolso e vontade de sobra para nos embebedarmos, o mais prudente é investir o recurso no extermínio da sobriedade.
Ao final da noite na Atlanta, saímos satisfeitos com o show do eterno líder dos Engenheiros do Hawaii, um pouco frustrados com a apresentação do ex-baixista dos Titãs (infinitamente menos inspirada – entorpecida? – que a do Fica do ano passado) e com uma certeza: open bar nunca mais!