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Eu tenho vergonha das desigualdades sociais

18.08.2012 - 10:51:23
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Sou da turma que estudou em escola particular a vida toda para passar em vestibular em universidade pública. Que não faltava às aulas de monitorias, entrava noite enfiada em livros. Sempre estive entre os melhores da sala e se mérito é isso, passei na UnB e na UFG pelo dito merecimento (como Filosofia era um curso pouco concorrido, tive que ouvir que era um desperdício meu desempenho). Sou da turma que pai e mãe ralaram muito (são professores) para pagar escola particular e curso de inglês para três filhos. Sou daquelas que nunca soube o que é um Nike Shox e as roupas eram compradas na feira ou no máximo na C&A. A prioridade em casa, afinal, era educação. E, não contraditoriamente, sou declaradamente a favor das cotas nas universidades para estudantes de escola pública.

Depois de 500 anos, arrastando injustiças e caminhando (muito) lentamente rumo a justiças e igualdades, o Brasil começa a enfrentar as históricas desigualdades sociais. E a cada enfrentamento, um pulo alto dos recalcados que não aceitam mudanças goela abaixo. E, por serem históricas, se naturalizaram. É natural, em pleno 2012, andar nos parques da cidade pelas manhãs e ver crianças loiras de olhos claros e todas as babás morenas ou negras vestindo branco. É normal ver ônibus lotados de pobres, carregando gente como quem carrega gado.

É natural que não se veja médicos, advogados e engenheiros negros. É normal pedreiros, marceneiros, empregadas domésticas e pintores terem uma remuneração baixa. Normal é ter na universidade uma maioria esmagadora de alunos que vieram de escolas particulares. Mais natural ainda que em cursos como Medicina e Direito eles representem 90% ou mais. Negros médicos, meninos pobres de escola pública formados em direito ou que conseguiram se tornar empresários são os chamados vencedores. Exemplos de merecimento. Aqueles que fogem à lógica, saem do normal. Casos de televisão! Globo Repórter ou Fantástico, diria.

Mas não, isso não é normal. Essas naturalidades devem, mesmo, ser questionadas e modificadas. O Brasil jamais vai conseguir crescer sem se livrar desse ranço aristocrático de que certas coisas são para uns e outras, para outros. Não vai ter justiça enquanto mérito e merecimento forem parâmetros para decisão numa sociedade em que as desigualdades são gritantes.

Sempre fui esforçada e dedicada e pode ser que tivesse conseguido entrar numa universidade pública se tivesse estudado em escola pública por toda vida. Pode ser que sim. Mas acho no mínimo ridículo eu disputar uma vaga com alguém que não teve a mesma formação educacional e cultural que eu. É óbvio que o caminho esteve mais aberto para mim por toda a vida. Eu tinha iogurte na geladeira, pais me incentivando e apoiando, que trabalhavam 8, 10, 12 horas por dia e o salário estava na conta no fim do mês. Suficiente para dar conta da minha formação e lazer.

Meus pais não trabalharam mais ou menos que os daqueles que estudaram em escola pública por toda a vida e não conseguiram entrar na universidade. Não é mérito que deve pautar as decisões em relação à educação. Porque educação é direito, simplesmente. Não é para quem merece. E direito não tem vírgulas, não é para um ou para outro. Mas as universidades públicas brasileiras são, sim, da classe média e alta. E não por mérito, mas por oportunidade. Sendo o acesso à educação um direito de todos, que ajam de acordo com aquela máxima que está na moda: tratando desigualdades com desigualdade.

Acuados, vendo a vida ficar mais difícil, aqueles que nunca se preocuparam com educação pública de base (porque sempre passaram longe e querem fazer vestibular, ter bom emprego para pagar escola particulares para manter os filhos longe) levantam a bandeira de melhorar o ensino público de base. Não, para um dia, matricular seus filhos lá. Mas para poderem arrotar, um dia, que há direito de igualdade na disputa por uma vaga na universidade entre alunos de escolas particulares e públicas. E que se espere esse dia chegar, fechando os olhos para as naturalidades bizarras.

Não consigo não me lembrar da fala do professor Vladimir Safatle, da USP, quando o entrevistei, e reescrevo aqui. “Há um raciocínio tosco que diz que antes de investirmos nas universidades, temos que investir na educação primária. É de um primarismo de fazer vergonha esse pensamento. Deve-se haver a capacidade de jogar em dois tabuleiros.” O professor falou algo simples e óbvio: o Brasil tem desafios na Educação em todos os níveis e tudo deve ser trabalhado ao mesmo tempo para que não haja regressão no que vai bem.

Não dá para parar de investir em pesquisa no ensino superior, por exemplo, para resolver problema de analfabetismo. Mando mais uma boa frase do professor sobre esse pensamento “tosco” (como ele mesmo diz) de resolver os problemas da educação básica primeiro para que, então, todos tenham acesso à universidade. “Não é possível ficar rifando duas ou três gerações enquanto a igualdade não vem”. Educação de base deve receber, naturalmente, um investimento massivo que até hoje nenhum governo se dispôs a pagar. Como disse aqui, semana passada, o país não vai sair da miséria, ainda que com uma boa economia, enquanto a educação não receber o investimento que nunca recebeu. Mais do que 10% do PIB. Seguramente, os 50% do Pré-sal. Até lá, vamos engolir as bizarrices de nossa desigualdade social?   

Enquanto a igualdade não vem, que a universidade continue a ter, em sua maioria esmagadora, alunos de ensino particular? Que continue a receber os pobres e negros que remaram contra a maré, e com certeza, seu mérito é muito maior do que de quem teve outras oportunidades? Que continuemos a não ter médicos e advogados negros? Até a educação básica ser satisfatória vamos continuar a aceitar essas naturalidades anormais?

A política de cotas foi bem sucedida em todos os locais onde foram implantadas. Escorar-se no argumento que o nível desses alunos vai “puxar” o ensino para baixo e que eles não vão conseguir acompanhar é, no mínimo, tapar os olhos para os resultados das pesquisas onde as cotas foram implantadas. Aqui e fora do Brasil. Os Estados Unidos são um dos exemplos. O mesmo país onde, há muito tempo, teve sua reforma agrária.

O que está em discussão não é a educação. Cota não é questão de educação pública, mas de igualdade social. O que está em discussão é que, mais uma vez, alguém tem que perder para haver igualdade. Os aeroportos estão mais cheios, as filas de check-in imensas, as empregadas domésticas estão cada vez mais caras e impagáveis. As ruas cheias de carros com IPI reduzido e, só então, nos damos conta de que é insustentável todos terem um carro.

Mais uma vez, o brasileiro tem que se dar conta de que o país tem que mudar. Tem que se dar conta de que nossa desigualdade é de dar vergonha. E que não dá mais para deixar cada qual no seu canto: os pobres com os empregos mal remunerados, o ensino público superior para quem pode e o de base para quem não tem saída.

Para finalizar, levanto outro problema que, no fundo, é a causa dessa briga toda pelas cotas. O Brasil é um país que, para se ter qualquer remuneração digna, para pagar as contas e ter uma vida com menos limitações, há de se ter um diploma na mão. Todo mundo quer entrar na universidade por quê? Porque adora estudar? Porque pensa em sua carreira acadêmica? Porque quer produzir cientificamente? Claro que não. Quer ganhar dinheiro, ter um emprego com um salário, no mínimo, decente. E a saída é o diploma.

Resultado disso é a universidade cada vez mais empresarial que temos, com alunos cada vez mais desinteressados no conhecimento em si. Aqueles alunos que atrapalham as aulas teóricas. Que assinam a chamada e vão embora. Eles nem deveriam estar ali. Deveriam, simplesmente, ter um salário decente para trabalhar com o que não se exige carreira acadêmica. Cursos técnicos, por exemplo, são uma saída.   

Quando no terceiro ano fiz intercâmbio na Nova Zelândia e a professora perguntou quem iria para universidade no ano seguinte, eu e mais uns gatos pingados levantamos as mãos. Desentendi! Pensei: o que os que não levantaram a mão vão fazer quando saírem daqui? Ao fim da aula, a professora quis saber o que eu queria estudar e como seria meu retorno ao Brasil. Contei que todo mundo queria entrar na universidade. “Como assim? Todo mundo se interessa mesmo por pesquisa? Por continuar estudando?”. Bem, é claro que não.

Expliquei que era a saída para termos um emprego com remuneração decente. “Mas por que não vão fazer um curso técnico ao invés de irem para universidade?”. Bem, à época nem tinha explodido esse crescimento de escolas técnicas. Ademais, respondi porque simplesmente os salários eram insuficientes para uma vida digna. A minha colega de sala queria ser mecânica, trabalhar em oficinas mesmo. A outra, cabeleireira. “Isso no meu país não é opção”, comentei com elas, que se assustaram. Assim como se assustou minha mãe de lá quando contei quanto uma empregada doméstica ganhava aqui. “Vocês deveriam ter vergonha”, ela me disse em tom de bronca.

E eu tenho. Vergonha do ranço escravocrata que temos, de ter cada um no seu devido lugar. Vergonha de tanta desigualdade. Eu tenho vergonha da proporção ridícula de alunos oriundos de escola pública nas universidades. Vergonha quando acho muito caro pagar por um serviço braçal. Vergonha de ter um carro por pessoa na minha garagem. Por isso defendo igualdade. Por isso defendo as cotas nas universidades, até quando for necessário. Do governo, espero que tenha peito para enfrentar uma classe alta que não sofre a taxação de impostos devida. O mesmo peito para aprovar essas cotas. Para que a igualdade atinja toda a pirâmide, de cabo a rabo. E espero que dê ao Ministério da Educação o status do da Fazenda. Que a educação cresça com a economia, em todos os níveis. Até lá, estou disposta a pagar o preço da igualdade.
 

 Sou da turma que estudou em escola particular a vida toda para passar em vestibular em universidade pública. Que não faltava às aulas de monitorias, entrava noite enfiada em livros. Sempre estive entre os melhores da sala e se mérito é isso, passei na UnB e na UFG pelo dito merecimento (como Filosofia era um curso pouco concorrido, tive que ouvir que era um desperdício meu desempenho). Sou da turma que pai e mãe ralaram muito (são professores) para pagar escola particular e curso de inglês para três filhos. Sou daquelas que nunca soube o que é um Nike Shox e as roupas eram compradas na feira ou no máximo na C&A. A prioridade em casa, afinal, era educação. E, não contraditoriamente, sou declaradamente a favor das cotas nas universidades para estudantes de escola pública.

Depois de 500 anos, arrastando injustiças e caminhando (muito) lentamente rumo a justiças e igualdades, o Brasil começa a enfrentar as históricas desigualdades sociais. E a cada enfrentamento, um pulo alto dos recalcados que não aceitam mudanças goela abaixo. E, por serem históricas, se  naturalizaram. É natural, em pleno 2012, andar nos parques da cidade pelas manhãs e ver crianças loiras de olhos claros e todas as babás morenas ou negras vestindo branco. É normal ver ônibus lotados de pobres, carregando gente como quem carrega gado.

É natural que não se veja médicos, advogados e engenheiros negros. É normal pedreiros, marceneiros, empregadas domésticas e pintores terem uma remuneração baixa. Normal é ter na universidade uma maioria esmagadora de alunos que vieram de escolas particulares. Mais natural ainda que em cursos como Medicina e Direito eles representem 90% ou mais. Negros médicos, meninos pobres de escola pública formados em direito ou que conseguiram se tornar empresários são os chamados vencedores. Exemplos de merecimento. Aqueles que fogem à lógica, saem do normal. Casos de televisão! Globo Repórter ou Fantástico, diria.

Mas não, isso não é normal. Essas naturalidades devem, mesmo, ser questionadas e modificadas. O Brasil jamais vai conseguir crescer sem se livrar desse ranço aristocrático de que certas coisas são para uns e outras, para outros. Não vai haver justiça enquanto mérito e merecimento forem parâmetros para delibeações envolvendo educação pública numa sociedade em que as desigualdades são gritantes.

Sempre fui esforçada e dedicada e pode ser que tivesse conseguido entrar numa universidade pública se tivesse estudado em escola pública por toda vida. Pode ser que sim. Mas acho no mínimo ridículo eu disputar uma vaga com alguém que não teve a mesma formação educacional e cultural que eu. É óbvio que o caminho esteve mais aberto para mim por toda a vida. Eu tinha iogurte na geladeira, pais me incentivando e apoiando, que tra balhavam 8, 10, 12 horas por dia e o salário estava na conta no fim do mês. Suficiente para dar conta da minha formação e lazer.

Meus pais não trabalharam mais ou menos que os daqueles que estudaram em escola pública por toda a vida e não conseguiram entrar na universidade. Não é mérito que deve pautar as decisões em relação à educação. Porque educação é direito, simplesmente. Não é para quem merece. E direito não tem vírgulas, não é para um ou para outro. Mas as universidades públicas brasileiras são, sim, da classe média e alta. E não por mérito, mas por oportunidade. Sendo o acesso à educação um direito de todos, que ajam de acordo com aquela máxima que está na moda: tratando desigualdades com desigualdade.

Acuados, vendo a vida ficar mais difícil, aqueles que nunca se preocuparam com educação pública de base (porque sempre passaram longe e querem fazer vestibular, ter bom emprego para pagar escola particulares para manter os filhos longe) levantam a bandeira de melhorar o ensino público de base. Não, para um dia, matricular seus filhos lá. Mas para poderem arrotar, um dia, que há direito de igualdade na disputa por uma vaga na universidade entre alunos de escolas particulares e públicas. E que se espere esse dia chegar, fechando os olhos para as naturalidades bizarras.
 
Não consigo não me lembrar da fala do professor Vladimir Safatle, da USP, quando o entrevistei, e reescrevo aqui. “Há um raciocínio tosco que diz que antes de investirmos nas universidades, temos que investir na educação primária. É de um primarismo de fazer vergonha esse pensamento. Deve-se haver a capacidade de jogar em dois tabuleiros.” O professor falou algo simples e óbvio: o Brasil tem desafios na Educação em todos os níveis e tudo deve ser trabalhado ao mesmo tempo para que não haja regressão no que vai bem.

Não dá para parar de investir em pesquisa no ensino superior, por exemplo, para resolver problema de analfabetismo. Mando mais uma boa frase do professor sobre esse pensamento “tosco” (como ele mesmo diz) de resolver os problemas da educação básica primeiro para que, então, todos tenham acesso à universidade. “Não é possível ficar rifando duas ou três gerações enquanto a igualdade não vem”. Educação de base deve receber, naturalmente, um investimento massivo que até hoje nenhum governo se dispôs a pagar. Como disse aqui, semana passada, o país não vai sair da miséria, ainda que com uma boa economia, enquanto a educação não receber o investimento que nunca recebeu. Mais do que 10% do PIB. Seguramente, os 50% do Pré-sal. Até lá, vamos engolir as bizarrices de nossa desigualdade social?

Enquanto a igualdade não vem, que a universidade continue a ter, em sua maioria esmagadora, alunos de ensino particular? Que continue a receber os pobres e negros que remaram contra a maré, e com certeza, seu mérito é muito maior do que de quem teve outras oportunidades? Que continuemos a não ter médicos e advogados negros? Até a educação básica ser satisfatória vamos continuar a aceitar essas naturalidades anormais?

A política de cotas foi bem sucedida em todos os locais onde foram implantadas. Escorar-se no argumento que o nível desses alunos vai “puxar” o ensino para baixo e que eles não vão conseguir acompanhar é, no mínimo, tapar os olhos para os resultados das pesquisas onde as cotas foram implantadas. Aqui e fora do Brasil. Os Estados Unidos são um dos exemplos. O mesmo país onde, há muito tempo, teve sua reforma
agrária.

O que está em discussão não é a educação. Cota não é questão de educação pública, mas de igualdade social. O que está em discussão é que, mais uma vez, alguém tem que perder para haver igualdade. Os aeroportos estão mais cheios, as filas de check-in imensas, as empregadas domésticas estão cada vez mais caras e impagáveis. As ruas cheias de Carros com IPI reduzido e, só então, nos damos conta de que é insustentável todos terem um carro.

Mais uma vez, o brasileiro tem que se dar conta de que o país tem que mudar. Tem que se dar conta de que nossa desigualdade é de dar vergonha. E que não dá mais para deixar cada qual no seu canto: os pobres com os empregos mal remunerados, o ensino público superior para quem pode e o de base para quem não tem saída.

Para finalizar, levanto outro problema que, no fundo, é a causa dessa briga toda pelas cotas. O Brasil é um país que, para se ter qualquer remuneração digna, para pagar as contas e ter uma vida com menos limitações, há de se ter um diploma na mão. Todo mundo quer entrar na universidade por quê? Porque adora estudar? Porque pensa em sua carreira acadêmica? Porque quer produzir cientificamente? Claro que não. Quer ganhar dinheiro, ter um emprego com um salário, no mínimo, decente. E a saída é o diploma.

Resultado disso é a universidade cada vez mais empresarial que temos, com alunos cada vez mais desinteressados no conhecimento em si. Aqueles alunos que atrapalham as aulas teóricas. Que assinam a chamada e vão embora. Eles nem deveriam estar ali. Deveriam, simplesmente, ter um salário decente para trabalhar com o que não se exige carreira acadêmica. Cursos técnicos, por exemplo, são uma saída.

Quando no terceiro ano fiz intercâmbio na Nova Zelândia e a professora perguntou quem iria para universidade no ano seguinte, eu e mais uns gatos pingados levantamos as mãos. Desentendi! Pensei: o que os que não levantaram a mão vão fazer quando saírem daqui? Ao fim da aula, a professora quis saber o que eu queria estudar e como seria meu retorno ao Brasil. Contei que todo mundo queria entrar na universidade. “Como assim? Todo mundo se interessa mesmo por pesquisa? Por continuar estudando?”. Bem, é claro que não.

Expliquei que era a saída para termos um emprego com remuneração decente. “Mas por que não vão fazer um curso técnico ao invés de irem para universidade?”. Bem, à época nem tinha explodido esse crescimento de escolas técnicas. Ademais, respondi porque simplesmente os salários eram insuficientes para uma vida digna. A minha colega de sala queria ser mecânica, trabalhar em oficinas mesmo. A outra, cabeleireira.
“Isso no meu país não é opção”, comentei com elas, que se assustaram. Assim como se assustou minha mãe de lá quando contei quanto uma empregada doméstica ganhava aqui. “Vocês deveriam ter vergonha”, ela me disse em tom de bronca.

E eu tenho. Vergonha do ranço escravocrata que temos, de ter cada um no seu devido lugar. Vergonha de tanta desigualdade. Eu tenho vergonha da proporção ridícula de alunos oriundos de escola pública nas universidades. Vergonha quando acho muito caro pagar por um serviço braçal. Vergonha de ter um carro por pessoa na minha garagem.

Por isso defendo igualdade. Por isso defendo as cotas nas universidades, até quando for necessário. Do governo, espero que tenha peito para enfrentar uma classe alta que não sofre a taxação de impostos devida. O mesmo peito para aprovar essas cotas. Para que a igualdade atinja toda a pirâmide, de cabo a rabo. E espero que dê ao Ministério da Educação o status do da Fazenda. Que a educação cresça com a economia, em todos os níveis. Até lá, estou disposta a pagar o preço da igualdade.

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por Nádia Junqueira

*Nádia Junqueira é jornalista e mestre em Filosofia Política (UFG).

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