Logo

Eu vou chamar o síndico: Tim Maia!

18.09.2012 - 11:20:31
WhatsAppFacebookLinkedInX


Goiânia – Na última sexta-feira, fui à Atlanta Music Hall assistir ao musical Tim Maia – Vale Tudo. Eu já sabia alguma coisa do espetáculo. Alguns amigos viram no Rio de Janeiro e em São Paulo e elogiaram bastante. Também participei de um bate papo organizado pela produtora do evento em Goiânia, a Mix Entertainment, que antecipou detalhes da apresentação e atiçaram a curiosidade. Ao final do evento, fiquei satisfeito com o que presenciei. Me diverti e isso é o que importa. Valeu ter ido.

Naturalmente, seria melhor ter visto um show do Tim Maia. Na impossibilidade de tal fato, o musical cumpriu bem a função de dar uma passada geral pelos grandes hits do eterno síndico, contextualizou quando cada música foi escrita, entremeou fatos marcantes da vida de Sebastião Rodrigues Maia, narrou alguns casos engraçadíssimos de Tião Marmiteiro. Ou seja , não tinha como dar errado: sons eternizados no panteão da música brasileira com casos inacreditáveis vivenciados pelo músico. Como eu disse, diversão garantida.

Preciso confessar que não gosto de musicais. Em geral, eles me transmitem um clima meio Fama. Lembra-se daquele programa da Globo? Pois é. Quando vejo musicais, percebo aqueles caras cantando absurdamente bem, super ensaiados, com tudo em cima, mas com a coisa meio sem vida. Meio fake, meio de plástico. Um clima onde o elemento artístico que mais respeito foi para as cucuias: a verdade. O musical escrito por redigido por Nelson Motta e dirigido por João Fonseca não foge disso. Mas a força da música de Tim e o poder cômico de suas histórias amenizaram essa impressão e garantiram o entretenimento.

Saindo da Atlanta, coloquei no som do meu carro o disco gravado em 1976 por Tim Maia. Mesmo com três horas de duração (que passam voando), o espetáculo não citou esse álbum – pularam direto da fase Racional para a disco music. As brigas com a Rede Globo, MTV, Roberto Medina… Todos esses fatos também passam batido (ou são mencionados tão levemente que nem o mais atento espectador perceberia) no texto de Motta – um apaziguador nato, que não cola em polêmicas e de personalidade bem distinta da de Tim Maia. É claro que não daria tempo de falar de tudo.

Ouvindo esse disco, ficou claro que o groove realmente circulava dentro das veias de Tim. O peso do funk, o baixo gordão e a batida encorpada da bateria o colocam em pé de igualdade com os grandes nomes da música negra mundial. Ele realmente tinha o dom de colocar para dançar. E para emocionar também. Ou, como o próprio dizia, “metade das músicas são mela cueca e metade esquenta suvaco”. Fórmula perfeita que garantiu aceitação popular gigante e credibilidade artística inquestionável.

Se a derrota chegar perto de sua festa, não tem segredo. Basta chamar o síndico: Tim Maia!  

compartilhar
WhatsAppFacebookLinkedInX
por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

Postagens Relacionadas
Joias do Centro
27.02.2026
Uma árvore, muitas camadas de memória na Rua 20

Carolina Pessoni Goiânia – Há árvores que oferecem sombra. Outras oferecem memória. Quem passa pela Rua 20 talvez veja apenas mais uma delas, de grande porte, em frente ao antigo casarão que abrigou a primeira moradia de Pedro Ludovico e, mais tarde, a Faculdade de Direito que deu origem à Universidade Federal de Goiás (UFG). […]

Meia Palavra
27.02.2026
‘O Cavaleiro dos Sete Reinos’ leva humor, aventura e bondade para Westeros

Se tem um universo que parece ter gerado uma terrível ressaca coletiva é o de Game of Thrones. Após o final patético da série e duas temporadas ocas de A Casa do Dragão, parecia que qualquer tentativa de retomar esse mundo no streaming não teria a menor chance de reconquistar a boa vontade da audiência. […]

Noite e Dia
27.02.2026
Evento na sede da OCB/GO marca lançamento do maior congresso de cooperativas de crédito do mundo; veja fotos

Carolina Pessoni Goiânia – O Sistema OCB/GO lançou, nesta quinta-feira (26/2), o 16º Congresso Brasileiro do Cooperativismo de Crédito (Concred), maior evento do cooperativismo financeiro no mundo. A apresentação foi realizada no edifício Goiás Cooperativo, em Goiânia, com a presença do presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira; do presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas […]

Noite e Dia
25.02.2026
Prêmio Mais Influentes da Política em Goiás reúne autoridades e personalidades em Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – A entrega das premiações da edição 2026 do Prêmio Mais Influentes da Política em Goiás foi realizada nesta segunda-feira (23/2). Promovido pela Contato Comunicação, a 16ª edição foi realizada na Câmara de Goiânia, no Auditório Jaime Câmara. O reconhecimento contempla os nomes mais citados por jornalistas e formadores de opinião do […]

Projetor
24.02.2026
Talvez

Já falei em outros artigos sobre a dificuldade de opinar toda semana. Há motivos pessoais e questões culturais envolvidas nisso. Em termos pessoais, tenho opiniões duras a depender do assunto. De forma geral, entretanto, é a dúvida que me guia. São características enraizadas em toda uma história de vida das quais não se pode escapar. […]

Noite e Dia
23.02.2026
Posse solene de desembargadora do TJGO reúne autoridades em Goiânia; veja como foi

Carolina Pessoni Goiânia – A solenidade de posse da desembargadora Laura Maria Ferreira Bueno foi realizada na última sexta-feira (20), no Plenário Desembargador Homero Sabino de Freitas, na sede do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO), em Goiânia. Sob a condução do chefe do Poder Judiciário estadual, desembargador Leandro Crispim, a cerimônia cotou […]

Curadoria Afetiva
22.02.2026
Cerradim e um Jardim

A ideia de formatar o evento “Cerradim” partiu do desdobramento do “Projeto Goianins”, realizado ano passado, com oficinas criativas para crianças típicas e atípicas, cujo resultado dos trabalhos artísticos foram projetados nas paredes dos muros dos moradores da rua do entorno do Jardim Potrich. A idealização desse espaço multicultural sempre esteve vinculada a duas principais […]

Joias do Centro
20.02.2026
Feira Dom Bosco: raízes, tradição e trabalho na região central de Goiânia

Carolina Pessoni Goiânia – Antes mesmo de o sol firmar presença no céu de Goiânia, as ruas do Setor Oeste já começam a ganhar outro ritmo. O cheiro de fruta cortada, o peso das caixas descarregadas ainda na madrugada e as primeiras conversas entre fregueses antigos anunciam que é dia de feira. Às terças e […]