Jales Naves
Especial para o AR
Goiânia – O Instituto Histórico e Geográfico de Goiás comemora na sexta-feira (7/10) em sua sede, na Rua 82 , nº 455, setor Sul, em Goiânia, o seu 90º aniversário de fundação com uma série de eventos. A programação começa às 8h, com a apresentação da Orquestra Sinfônica de Goiânia, seguindo-se a abertura da exposição sobre o professor e escritor Horieste Gomes, paulista de Igarapava, 88 anos, que aos seis anos se mudou com a família para a Goiânia que estava surgindo e fincou raízes no bairro de Campinas, que o motivou a escrever livros sobre o espaço que considera “a mãe da capital goiana”. Às 8h40 será inaugurado o elevador e, às 9h, homenagem aos novos sócios mantenedores, que ajudaram a tornar a atual Diretoria uma das mais produtivas desse período, como ressalta o presidente Jales Guedes Coelho Mendonça.
Três palestras, de 20 minutos cada, serão proferidas a partir das 9h20 pelos professores Lena Castello Branco, Nasr Chaul e Nilson Jaime, todos integrantes do Instituto, que falarão sobre os 90 anos da entidade; e, às 11h20, lançamento da edição nº 32 da “Revista do IHGG”.
O Instituto nem sempre teve tantas atividades, e o próprio começo foi difícil. Surgiu na antiga capital, no dia 7 de outubro de 1932, foi solenemente instalado quase um ano depois, no dia 17 de setembro de 1933, ainda em Vila Boa, e sua primeira reunião, no entanto, aconteceu quase cinco anos depois, a 25 de junho de 1938, já em Goiânia. No mês seguinte o presidente Colemar Natal e Silva lançava a pedra fundamental de sua sede própria, que seria construída nos lotes 43 e 45 da Rua 82, no nascente Setor Sul, doados pelo interventor federal Pedro Ludovico Teixeira. A inauguração deu-se no dia 5 de outubro de 1939 e, em 21 de novembro desse ano, pelo Decreto-lei nº 2.593, foi declarado entidade de utilidade pública.
Exposição
Uma dinâmica implantada pela atual Diretoria, depois que conseguiu, com o Sicoob Unicentro BR, a reforma de sua sede, resgatando a antiga casa rosada, tem sido a realização de exposições para mostrar a obra de seus integrantes. A atual presta homenagem ao escritor Geraldo Coelho Vaz e, a partir de sexta-feira, começa a do professor Horieste Gomes, cuja família instala em Campinas o reduto dos Gomes/Bariani, de descendência italiana, que atuava com serraria e, dessa forma, ajudou na construção da nova capital.
Horieste já escreveu oito livros sobre o bairro que o abrigou: “Memórias da Campininha”, “A Campininha das Flores” (em parceria com outros autores), “A Saga do Dragão”, “Reminiscências da Campininha”, “Lembranças da Terrinha”, “Corpos e mentes que construíram Goiânia (Campinas)”, “Brincadeiras de crianças” e “Causos, histórias e estórias de Campinas”. No total, já são mais de 30 obras de sua autoria.
O professor Weder David de Freitas foi preciso ao descrevê-lo: “Horieste realizou, durante toda a sua vida, uma trajetória inconfundível. Lutou incansavelmente por justiça social e pagou com o próprio corpo com as torturas recebidas durante a ditadura militar. Levou suas concepções humanas para os mais variados campos: militância política, carreira acadêmica e vida pessoal. Na academia, foi sem dúvida um gladiador, pois batalhou para que a universidade fosse uma formadora de cidadãos conscientes e críticos e não apenas de bons profissionais. Em resumo, Horieste Gomes e outros geógrafos revolucionaram a Geografia e, mais, tentaram revolucionar o Brasil e o mundo”.