Goiânia – O brasileiro vive reclamando da corrupção nas altas esferas do poder nacional mas se esquece que, quando tem a chance, ele não nega sua corrupçãozinha de cada dia. Basta o cavalo do ilícito passar em sua porta que, sem pestanejar, o cara monta e deixa a vida o levar.
E se perguntado a razão de ter caído nessa tentação, as desculpas são fartas. O que não esconde a índole primeira de se dar bem, independente da regra, independente de lei. São tantos exemplos que nem sei por onde começar.
O caso dos quilos de carteirinhas de estudante mequetrefes espalhadas por aí pode começar a história. Argumentam que o preço dos eventos culturais é caro. Concordo. Argumentam que se rouba muito no país em escala macro. Concordo. Argumentam e argumentam e argumentam.
Mas o cerne de tudo é que a falsificação é um erro, um desvio de caráter. A exacerbação da Lei de Gérson. Se erram mais, você também ganha sua cota de ser errado? Então estamos feitos! Parece a desculpa do PT quando pego com a boca na botija na história do mensalão. Se todos fazem, adquiro o direito também de fazer. Não posso concordar com essa lógica.
Outra prática comum que ilustra bem o que estou falando é a tal da vaga para idosos ou pessoas com necessidades especiais. O cara nem fica vermelho ao estacionar seu carro nesses locais reservados. É de uma falta de caráter que enoja. O egoísmo é tamanho que a pessoa sequer consegue pensar nos pais ou avós, que poderiam fazer uso da vaga. Sequer pensa adiante, pois, se tudo der certo e ele não morrer jovem, também será beneficiado por essa política dentro de alguns anos. A mesquinharia é demais. E esse cara também tem um discurso prontinho para crucificação dos “ladrões do Congresso”.
Os linchamentos que ainda não chegaram a matar alguém, mas é somente questão de dias, praticados pelos ditos “justiceiros” também é de lascar. Se o Estado não faz, eu vou lá e faço. Do meu jeito, tudo errado, estuprando qualquer contrato social mínimo. A sensação de justiça que paira no ar é ilusória. Ela é efêmera como um risco n’água. Voltamos à lei do mais forte. O problema é quando não formos o mais forte e a fúria se voltar contra nós, seja lá pelo motivo que for. Estamos caminhando de volta ao feudalismo, de volta à barbárie. No rumo certo, Brasil…
E em todos os casos justifica-se o erro próprio com o dos outros. Falar mal de figurão que pisa na bola é bom demais. Temos que falar de monte. Mas poderíamos pelo menos fazer nossa parte. Dar nosso exemplo. Não ficar só no falatório, no blá-blá-blá. Perdemos o crédito quando cobramos algo que não praticamos. Olha o caso do PT aí para não me deixar mentir.
Pense nisso quando for estacionar na vaga reservada, usar sua carteirinha falsificada para entrar no cinema ou dar sua bifa no ladrãozinho de mobilete amarrado no poste.