Pronto. Vocês reclamaram tanto do Mano Menezes que o demagogo presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Medalha, ops, Marin, sacou Luiz Felipe Scolari da manga e o anunciou como técnico do escrete canarinho. Como flashback pouco é bobagem, Carlos Alberto Parreira será o coordenador técnico da bagaça. Só faltou escalar o Zagallo na ponta-esquerda.Os dois últimos técnicos que levantaram o caneco dourado pelo Brasil para ver se dá um cala boca geral.
Eu não gostei da mudança. Acho que os funcionários do Banco do Brasil também não. Mano Menezes era um cara elegante, delicado, contido nas entrevistas. Felipão é o contrário. Ele é tipo aquele tio excêntrico, italianão, conservador, duro quando deve ser e carinhoso quando a situação demanda que toda família tem. Tipos assim costumam dar com a língua nos dentes. E foi assim que saiu a declaração desastrada do antigo treinador do rebaixado Palmeiras referente aos bancários. Essa gafe é um problema menor. E só ganhou repercussão porque o mundo está chato demais.
A população em geral aprova figuras desse naipe. Eles são mais humanos, mais reais, mais próximos do que o povo sente na rua. Quem nunca fala umas bobagens? Mano era insípido demais para cair no gosto do torcedor brasileiro. Ele só teria alguma chance se seu time estivesse arrebentando em campo. O que estava longe de ser uma realidade. Quando ele começava a encaixar um esquema, dando uma cara ao conjunto, foi sacado do cargo. Fazer o quê? A vida é dura para todos e pior para técnico da Seleção.
Não fiquei satisfeito com a substituição não por defender a permanência de Mano. Meu nome preferido desde a queda de Dunga era o de Muricy Ramalho. Só que já que colocaram o ex-corintiano e ele estava razoável, acho que trocar pelos nomes disponíveis no mercado é pura encenação, jogo fácil para a plateia. Como eu disse no início do texto, demagógico. Na atual circunstância, em que Mano já tinha levado um belo pé na bunda, eu preferia Pep Guardiola. Mas aí seria pedir ousadia demais de quem não é afeito a esse tipo de postura.
Acho Felipão ultrapassado para o cargo. Ele é careteiro demais, midiático demais, fanfarrão demais. Folclore por folclore, vamos logo de Joel Santana e sua mítica prancheta. O futebol de hoje é ciência pura. Detalhes decidem jogos disputadíssimos, ainda mais em um campeonato de máximo de sete jogos como é a Copa do Mundo.
Técnico tem que estudar, não gritar. E o conceito de família que Felipão tanto gosta de trabalhar é um excelente motivacional, mas que não consegue superar esquemas armados com inteligência. O emocional só funciona se tiver estratégia e talento ao seu lado. O esforço pelo esforço nos dá como resultado aquele futebol de volantes brucutus que desarmam todas jogadas, seja na boa ou na pancada, e erram passes de cinco metros de distância. Se eu fosse técnico, colocaria todos cabeças-de-área do meu elenco para assistir um vídeo de dez horas com as melhores jogadas de Paulo Roberto Falcão. Para ver se os caras aprendem um pouquinho como um bom volante deve jogar.
Mas debater isso agora é chorar o leite derramado. Já está confirmado que teremos aquele bigode imponente junto da animação típica do Parreira no banco de nossa Seleção em 2014. Só nos resta torcer para que eu queime minha língua e os caras ganhem a segunda Copa do Mundo do currículo deles. Por que eu não quero outro Maracanazzo de jeito nenhum.