Nádia Junqueira
Apesar dos recursos reduzidos, a realização do XI Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros foi possível com algumas mudanças, parcerias e apoios. Ao final do Encontro que foi de 22 a 30 de julho, Juliano Basso, organizador do evento, diz que tem sentimento de vitória. “Ainda temos dívidas do encontro passado, pois o Ministério da Cultura não nos pagou o prêmio Areté, que contávamos para custear as despesas”. Um dos apoios veio dos artistas, que reduziram seus cachês para subirem ao palco. Houve grupo que cobrou 30% de seu valor. Petrobrás e SESI foram os grande patrocinadores, sendo que o segundo viabilizou recursos para o I Encontro Gastronômico de Culturas da Chapada
“Depois de 10 anos de Encontro, queríamos uma renovação. Começamos com a mudança do palco: voltamos para o lugar de origem”, conta Juliano. Nos últimos anos os shows aconteciam na quadra de esportes da cidade. Um lugar mais amplo, mais aberto e mais frio também. “Aqui as pessoas se encontram, interagem mais. Lá elas dispersavam muito”, defende. Na programação, o Encontro Gastronômico foi uma novidade que deu certo. “Foi um sucesso total. Adesão completa dos estabelecimentos e dos turistas. Além de agregar valores para culinária do cerrado com pitadas de modernidade e charme”, diz Juliano.
Mesmo com os apertos, o Encontro não deixou de trazer as atrações tradicionais do cerrado, como grupos de congada, catira e catupé, nem outras mais conhecidas nacionalmente como Caixeiras do Divino (MA) e Coco Raízes de Arcoverde (PE) e até mesmo Benin, da África. Além disso, não abriram mão da interação entre povos indígenas, Kalungas, artistas e turistas. Para o organizador, o evento tem seu valor próprio e está consolidado. “Aqui as pessoas descobrem melhor suas raízes, valorizam aos seus antepassados e saem com a esperança de que a modernidade pode ser benéfica aos povos tradicionais”.
Por outro lado, ele acredita que São Jorge pode ainda se desenvolver mais para receber o Encontro. “A vila pode ser exemplo ecológico e cultural para o mundo. Tem um Parque ao lado, vários grupos de cultura tradicional e é muito próxima da capital do país. O estado deve investir aqui para que sejamos esse exemplo”, argumenta Juliano. Ele também diz que esse investimento deve ser discutido com as comunidades para que não seja de cima para baixo.
Para o ano que vem, Juliano espera que não seja tão difícil levantar recursos, que o Ministério da Cultura esteja mais bem estruturado e que aumente o número de parcerias. “Acredito que não será tão sofrido”, afirma.
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