Gabriela Louredo
Goiânia –
Você já ouviu falar em nanotecnologia? Ela consiste no controle da matéria em escala atômica e molecular, atuando no desenvolvimento de materiais e componentes para diversas áreas de pesquisa como
a medicina, por exemplo. Além dos expressivos ganhos para a ciência em geral, o uso da nanotecnologia pode tornar as empresas mais competitivas no mercado.
Para apresentar as possibilidades desse cenário aos
empreendedores goianos, a Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Agência Brasileira de Desenvolvimento da Indústria (ABDI)
, realiza o workshop "Nanotecnologia em produtos industriais: alavancagem para geração de negócios". O evento será na próxima quinta-feira (27/9) na Casa da Indústria, em Goiânia.
O diretor do Senai Canaã, Claiton Cândido Vieira, afirma que a nanotecnologia representa a otimização de processos, uma vez que propicia maior eficiência dos produtos. No entanto, o
conceito ainda é pouco explorado no País. "Hoje, é um mercado restrito e as indústrias ficam reféns dessa tecnologia", sentencia.
As empresas que dominam essa ciência se concentram no Sul do País. Para transformar essa realidade, a CNI, ABDI, o Senai e o Instituto Senai de Tecnologia realizaram projeto-piloto voltado para empresas de cosméticos e fármacos interessadas em aperfeiçoar seu conhecimento a respeito do assunto, a ponto de desenvolverem a tecnologia por conta própria. Quatro empresas foram selecionadas.
O projeto iniciado em abril contempla quatro fases. Uma equipe de sete consultores percorreu as instalações das empresas para conhecer todo o processo de produção e verificar quais eram as reais
necessidades de cada uma, por meio de entrevistas e aplicação de questionários.
Com base nesse resultado, foi realizada a análise de potenciais, com apresentação de sugestões e soluções para
melhorar os negócios. "O projeto foi desenvolvido para aquelas empresas que já têm início (de produção), interesse ou compram a nanotecnologia. Agora, vamos elaborar um plano de trabalho para viabilizar um projeto e apoiá-lo para submissão do projeto no edital de inovação para indústria, do Sesi, Senai e Sebrae", explica Claiton.

(Diretor Senai Canaã, Claiton Vieira. Foto: Arquivo Pessoal)
A divulgação do edital ocorre quatro três vezes ao ano. Caso a empresa tenha o projeto escolhido, terá R$ 400 mil para execução da proposta. O sócio-fundador do Grupo Akmos, William Silva Miranda, ministrará palestra na Casa da Indústria cujo tema é "Aplicação da Nanotecnologia na indústria: oportunidades e desafios". A empresa de bem estar possui 98 franquias em todo o país e enxergou na nanotecnologia a possibilidade de agregar maior valor aos produtos. O Grupo Akmos foi selecionado para participar do projeto-piloto.
William avalia que a nano é uma tendência na Europa, mas no Brasil o seu desenvolvimento ainda é tímido. "Por questões culturais, o Brasil não está na vanguarda desse processo. A maioria dos empresários está na zona de conforto. É muito raro encontrar quem está disposto a investir em inovação", critica. Com uma linha de produtos que inclui cosméticos e suplementos, o grupo comercializa um energético com cafeína encapsulada, produzido em parceria com um laboratório de São Paulo.
A vantagem, segundo ele, é que os compostos colaboram para a sustentabilidade, uma vez que é possível utilizar menos matéria-prima, em comparação a um produto convencional, e ao mesmo tempo alcançar maior absorção pelo organismo. "A cafeína, após consumida, dá uma explosão de uma hora, uma hora e meia. Com o nosso produto, ela é liberada gradualmente no organismo", diz.
Para o mês de novembro, a empresa pretende lançar um antienvelhecimento à base de pimenta biquinho, desenvolvido 100% através da nanotecnologia e pelo próprio grupo. Meta mais ousada é levar uma base do laboratório do grupo para a Amazônia, a fim de aproveitar a rica biodiversidade da floresta para aprimorar os projetos de Pesquisa e Desenvolvimento. "A Amazônia é um grande tesouro do Brasil que não é explorado. Vamos fazer isso por meio do extrativismo sustentável, em parceria com cooperativas, ribeirinhos e quilombolas", assegura.
A empresa de cosméticos goiana Vitalife também teve a consultoria do Senai a respeito da nanotecnologia. De acordo com a gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação,
Juliana Moura, a nanotecnologia começou a ser utilizada pela empresa em 2013. Atualmente, ela está presente em cinco compostos da linha de produtos voltados para cuidados com a pele e proteção solar: vitamina C, vitamina E e ácidos em cápsulas que serão lançados no mês de novembro.
Juliana, que é farmacêutica, afirma que a aplicação desta ciência garante maior competitividade aos produtos no mercado, uma vez que aumenta a eficiência e, ao mesmo tempo, reduz os custos. "A nanotecnologia aplicada pode usar uma concentração menor de ativos, permeando melhor a pele. A gente estuda bastante como pode aumentar essa eficácia sem perder a segurança", explica.
O Senai está organizando missões em alguns institutos tecnológicos para melhorar o conhecimento da aplicação da tecnologia em um cenário industrial. Ela fala sobre a realização do workshop. "Acho importante essa iniciativa para aproximar mais a parte industrial das pesquisas produzidas na área. Com essa troca de informações com a academia podemos encontrar respostas de uma forma conjunta", assinala.