O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, propôs nesta terça-feira,
durante audiência na comissão da Câmara que discute a Lei Geral da Copa,
que sejam vendidos ingressos dentro de uma cota social no lugar da
meia-entrada. Ele admitiu que a Fifa “não gosta da meia-entrada” e
defendeu que uma cota social permitirá que mais pessoas possam entrar
nos jogos do Mundial de 2014.
“Em vez de diferentes grupos com direito a meia-entrada, propus uma
categoria 4 (de ingressos) que será reservada apenas aos brasileiros.
Nessa categoria 4, trabalharemos com acesso privilegiado aos estudantes,
aos diferentes grupos que têm acesso a meia-entrada”, disse Valcke.
“Quando damos meia-entrada de forma geral, não são os mais pobres que
têm essa possibilidade.”
A ideia de uma categoria com ingressos mais baratos para cidadãos do
país que recebe a Copa já foi aplicada na edição de 2010, na África do
Sul. Segundo Valcke, esses bilhetes custariam cerca de US$ 25,00 (cerca
de R$ 42,00) no Brasil. Mas ele também alertou ser necessário haver
fiscalização para que essas entradas não caiam nas mãos de cambistas.
Valcke destacou que, na conversa que teve com a presidente Dilma
Rousseff no começo de outubro, em Bruxelas, na Bélgica, lhe foi dito que
a meia-entrada na Copa de 2014 valeria apenas para idosos, por se
tratar de uma lei federal.
O secretário-geral da Fifa lembrou ainda que as garantias exigidas pela
entidade são as mesmas desde 2007, quando o Brasil assinou o acordo para
sediar o evento. “Não mudamos nenhuma palavra do que foi pedido”, disse
Valcke, ressaltando que não há qualquer questionamento à soberania
brasileira.
Ele aproveitou a reunião para cobrar novamente o Brasil em relação às
obras de mobilidade urbana. “Estamos atrasados, não podemos perder
nenhuma dia”, avisou. Para o secretário-geral da Fifa, dirigir em São
Paulo, por exemplo, é um “pesadelo”.
Valcke destacou que, apesar de a Copa das Confederações em 2013 ser um
evento teste, é preciso acelerar as obras, porque não haverá tempo de
fazer nenhuma “mudança fundamental” entre a competição e o Mundial de
2014.
Ricardo Teixeira, presidente da CBF e do Comitê Organizador Local,
também foi à audiência na Câmara. Ele fez uma rápida explanação
destacando as vantagens que o Brasil poderá ter com o evento. E cobrou
pressa na votação do projeto da Lei Geral da Copa. “A discussão é
saudável, mas o tempo não está do nosso lado”, alertou.
fonte: Agência Estado