Goiânia – Você viu a listinha que a Prefeitura de Goiânia publicou com os estabelecimentos noturnos que receberam a recomendação de interdição? É de ficar boquiaberto. Não sei se ficou clara a você a proposição do executivo municipal. É simplesmente acabar com o setor de entretenimento noturno de nossa cidade. Uma área inteira jogada no lixo com grande parcela de culpa do próprio poder público. Fiquei pasmo.
Não faz o menor senso fechar todo um segmento comercial da cidade quando, na maior parte dos casos, existe morosidade e incompetência do próprio ente público para a liberação dos documentos necessários para o funcionamento dessas casas. Kafkaniano ao limite de Kafka não entender e falar: “calma aí, vocês estão exagerando”…
Sim, pois se grande parte dos empreendedores desse ramo está na nefasta lista, a responsabilidade primeira é justamente de quem agora fiscaliza e, o pior de tudo, vaza informações para a imprensa, colocando a reputação dos espaços em xeque. Queria ver se o mesmo pente fino fosse passado nos estabelecimentos geridos pelo poder público seja em instância municipal, estadual e federal. Quantos você acredita que cumpririam tudo que é solicitado e permaneceriam abertos? Tenho certeza que algum número bem próximo de zero.
Não é agindo dessa forma, na base do terror e da faca no pescoço, que a noite de Goiânia ficará mais segura. Nesse caminho, só iremos tirar o sustento de famílias e famílias que dependem do trabalho na balada. O clima de caça às bruxas não pode continuar reinando. Não é aceitável gente honesta sendo coagida pelo próprio ente que não cumpre sua responsabilidade.
Não sei se você sabe, mas sou servidor público concursado. Depois que fui aprovado, já trabalhei em três lugares distintos. Não é groselha: corro mais risco de um acidente de vários tipos no trabalho dito “normal” do que quando trampo discotecando em algumas dessas casas que estão na lista. Como um trabalhador do dia que também rala no período noturno, percebo mais chance de uma treta séria nos meus ambientes diurnos. E nunca vi fiscalização alguma observando detalhes técnicos nos locais que trabalho ou trabalhei. Se um analfabeto desse assunto como sou já consegue perceber problemas a olho nu, imagine um especialista na área.
A real é que temos que aproveitar esse momento em que os empresários estão receptivos e buscam melhorar a segurança de seus estabelecimentos para nós vendermos ao Brasil como a noite mais divertida e segura do País. Só que essa imagem não será construída na base da perseguição de gente que quer cumprir tudo na linha. A chantagem não é um meio apropriado para conquistar aliados. E infelizmente as fiscalizações enxergam o empreendedor do entretenimento como inimigo a ser exterminado. Com isso, todos perdem. E Goiânia fica muito mais chata.