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Fuck off, estrangeirismos!

07.02.2013 - 21:18:13
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Não tenho vocação para Policarpo Quaresma. Ou sua encarnação contemporânea, Aldo Rebelo. Não acredito na pureza seminal da cultura brasileira de raiz. Eu gosto de rock n’ roll, baby! Seria contraditório demais fazer a defesa de nossos valores tradicionais enquanto escuto Sabbath Bloody Sabbath durante a escrita. Mas a galera está exagerando. Já que temos uma palavra em nosso repertório que satisfaz o que queremos dizer sem problemas, por que apelar para algo em inglês? Publicitários, please, me ajudem!

Por exemplo, por que liquidação, desconto e promoção entraram em desgraça para nossos comerciantes? Acredito que com a ascensão da classe C ao consumo, os que têm filhos #educaçãosimcotasnão se sentiram desvalorizados. E já que podem ir à Miami fazer enxoval dos pimpolhos, seria natural trazer para o Brasil sem porteira o padrão made in USA. Conexão Flórida-Bueno. E dá-lhe 30% off ao invés de 30% de desconto.

Não entendo também o tal do delivery. Olha o tamanho do contrassenso: pamonhas delivery. A tradicional culinária goiana pagando pau para gringo, é mole? Leitor, você não animaria mobilizar um protesto pela volta do “entregas em domicílio”? Se você puxar a história, pode contar com meu RT e meu compartilhamento – afinal, esse é o engajamento dos tempos de hoje, não é mesmo?

Outra coisa que me incomoda é a inserção desmedida de expressões em inglês no meio da fala. O pior é que é só para mostrar que o pai pagou certinho o Cultura Inglesa do fulano. Um arroubo de empáfia de enrubescer a face. Quando alguém manda um whatever ou anyway no meio da frase, sinto cheiro de hipster no ar. Tenho certeza que a pessoa já tem ingressos do Planeta Terra no bolso. Eu passo longe.

Sei que toda língua é suscetível a influências externas. Veja o agora nossos sanduíche, chope, uísque, futebol… Todas essas palavras têm raízes em outros idiomas. Tranquilo. Foram absorvidas perfeitamente ao nosso falar. Talvez enfrentaram a mesma crítica ranheta que agora faço aos termos acima. É bem provável. Vai saber… Assim como a bossa nova, que hoje é tida como baluarte da cultura nacional e antes era considerada mero arremedo de jazz, os termos também se reposicionam ao longo do tempo. Nada como um dia após outro dia.

Mas, enquanto o Tio Sam não toca pandeiro para o mundo sambar, vamos segurar a onda, alright?

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por Pablo Kossa

*Jornalista, produtor cultural e mestre em Comunicação pela UFG

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